{"id":1108,"date":"2025-12-28T05:53:04","date_gmt":"2025-12-28T08:53:04","guid":{"rendered":"https:\/\/oexpressobr.com.br\/?p=1108"},"modified":"2025-12-28T05:53:05","modified_gmt":"2025-12-28T08:53:05","slug":"bolsonaro-ustra-e-dilma-a-memoria-seletiva-sobre-direitos-humanos-e-a-exaltacao-da-tortura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oexpressobr.com.br\/?p=1108","title":{"rendered":"BOLSONARO, USTRA E DILMA: A mem\u00f3ria seletiva sobre direitos humanos e a exalta\u00e7\u00e3o da tortura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O debate sobre a sensibilidade institucional e o respeito \u00e0 dignidade humana no Brasil ganha novos contornos quando confrontado com epis\u00f3dios recentes da hist\u00f3ria pol\u00edtica. Recentemente, a not\u00edcia de que a ex-presidente <strong>Dilma Rousseff<\/strong> ser\u00e1 indenizada pela Uni\u00e3o em R$ 400 mil por danos morais, decorrentes da tortura f\u00edsica e psicol\u00f3gica sofrida durante a ditadura militar, trouxe \u00e0 tona o questionamento sobre o limite da empatia e do pudor no discurso p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200bA decis\u00e3o judicial do TRF1 refor\u00e7a que as viola\u00e7\u00f5es sofridas por Dilma n\u00e3o s\u00e3o apenas narrativas, mas fatos hist\u00f3ricos reconhecidos pelo Estado. Entretanto, cabe perguntar por que essa sensibilidade institucional, hoje cobrada em diversos setores, pareceu inexistente em momentos cr\u00edticos, como na vota\u00e7\u00e3o do impeachment em 2016.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u200bO &#8220;Pavor de Dilma Rousseff&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200bNaquela sess\u00e3o hist\u00f3rica, o ent\u00e3o deputado federal <strong>Jair Bolsonaro<\/strong> proferiu um voto que ecoaria por anos como um marco da desumaniza\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio pol\u00edtico. Ao dedicar seu voto \u00e0 mem\u00f3ria do coronel <strong>Carlos Alberto Brilhante Ustra<\/strong>, Bolsonaro referiu-se ao militar como &#8220;o pavor de Dilma Rousseff&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200bUstra, o primeiro militar a ser reconhecido pela Justi\u00e7a brasileira como torturador, comandou o DOI-CODI entre 1970 e 1974. Sob sua gest\u00e3o, foram registrados pelo menos 50 mortes e desaparecimentos, al\u00e9m de centenas de casos de tortura que inclu\u00edam espancamentos e o uso de animais em prisioneiras. A exalta\u00e7\u00e3o de um agente estatal condenado por abusos, justamente no momento de fragilidade institucional de uma presidente que foi sua v\u00edtima direta, marcou um per\u00edodo em que a empatia foi deixada de lado em nome da conveni\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u200bA aus\u00eancia de limites e o uso da sa\u00fade<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200bA falta de pudor citada por observadores pol\u00edticos da \u00e9poca n\u00e3o se restringiu \u00e0 apologia \u00e0 ditadura. Durante o per\u00edodo em que Dilma Rousseff lutava contra um c\u00e2ncer linf\u00e1tico, ainda em sua trajet\u00f3ria p\u00fablica, e posteriormente nos embates pol\u00edticos, a sa\u00fade da ex-presidente foi frequentemente alvo de ataques e relativiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200b&#8221;Naquele momento, n\u00e3o houve empatia, n\u00e3o houve pudor, n\u00e3o houve limites&#8221;, resume a cr\u00edtica sobre o tratamento dispensado \u00e0 mandat\u00e1ria.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200bO hist\u00f3rico de exalta\u00e7\u00e3o ao sofrimento alheio e a relativiza\u00e7\u00e3o da tortura contrastam drasticamente com os pedidos de &#8220;equil\u00edbrio&#8221; e &#8220;respeito&#8221; que surgem no cen\u00e1rio atual. A trajet\u00f3ria do coronel Ustra, elevado a &#8220;her\u00f3i nacional&#8221; por setores da extrema-direita, serve como lembrete de que o desprezo pelos direitos humanos j\u00e1 foi utilizado como plataforma pol\u00edtica com pouca ou nenhuma resist\u00eancia \u00e9tica interna.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u200bLinha do Tempo: A Exalta\u00e7\u00e3o da Tortura no Discurso P\u00fablico<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u200b<strong>1970-1974:<\/strong> Gest\u00e3o de Brilhante Ustra no DOI-CODI.<\/li>\n\n\n\n<li>\u200b<strong>2008:<\/strong> Justi\u00e7a de SP declara Ustra torturador (primeira condena\u00e7\u00e3o do tipo).<\/li>\n\n\n\n<li>\u200b<strong>2016:<\/strong> Jair Bolsonaro exalta Ustra como &#8220;o pavor de Dilma&#8221; durante o impeachment.<\/li>\n\n\n\n<li>\u200b<strong>2019:<\/strong> Como presidente, Bolsonaro volta a chamar Ustra de &#8220;her\u00f3i nacional&#8221;.<\/li>\n\n\n\n<li>\u200b<strong>2025:<\/strong> Justi\u00e7a confirma indeniza\u00e7\u00e3o a Dilma Rousseff por torturas sofridas no regime militar.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u200bA reflex\u00e3o que fica para a sociedade brasileira \u00e9 sobre a consist\u00eancia dos valores democr\u00e1ticos. Quando os direitos humanos s\u00e3o protegidos apenas para aliados e desprezados para oponentes, a pr\u00f3pria base da civilidade \u00e9 colocada em xeque.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre a sensibilidade institucional e o respeito \u00e0 dignidade humana no Brasil ganha novos contornos quando confrontado com epis\u00f3dios recentes da hist\u00f3ria pol\u00edtica. 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