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Estudo da Unila revela que cannabis medicinal pode recuperar memória em pacientes com Alzheimer

Estudo da Unila revela que cannabis medicinal pode recuperar memória em pacientes com Alzheimer

Um avanço científico brasileiro está trazendo novas esperanças para o tratamento da Doença de Alzheimer. Pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, concluíram um estudo inédito que demonstra a eficácia do uso de cannabis medicinal na recuperação da memória e na melhora da qualidade de vida de idosos diagnosticados com a patologia.

​A pesquisa, coordenada pelo professor Francisney Nascimento, do Laboratório de Cannabis Medicinal e Ciência Psicodélica (LCP), é considerada uma das mais longas já realizadas no mundo com este foco. Durante seis meses, os cientistas aplicaram o método “padrão-ouro” (duplo-cego e controlado por placebo), no qual nem pacientes nem médicos sabiam quem recebia o extrato real da planta.

​Principais descobertas e benefícios

​Os resultados publicados recentemente indicam que o uso de microdoses de extrato de cannabis — contendo uma combinação equilibrada de THC (tetra-hidrocanabinol) e CBD (canabidiol) — foi capaz de:

  • Restaurar funções cognitivas: Pacientes apresentaram melhora significativa em testes de memória, sugerindo uma possível regeneração ou proteção de células neuronais.
  • Reduzir sintomas comportamentais: Houve uma queda acentuada na agitação, agressividade e ansiedade, sintomas comuns em estágios avançados da doença.
  • Melhorar o sono e a rotina: Relatos de familiares, como o de Nestor Benites (cuidador da mãe, Nair, participante do estudo), destacam que os pacientes tornaram-se mais colaborativos e tranquilos no dia a dia.
  • Garantir segurança: As doses utilizadas foram extremamente baixas (cerca de 0,3 mg), o que evitou efeitos psicoativos ou dependência, tornando o tratamento seguro para o público idoso.

​O diferencial da pesquisa paranaense

​Ao contrário de estudos anteriores que duraram apenas 8 ou 12 semanas e não mostraram resultados conclusivos, a investigação da Unila estendeu-se por 26 semanas. Segundo o professor Nascimento, esse tempo foi crucial para observar a estabilização e a recuperação real dos pacientes. Além disso, o estudo utilizou o extrato de espectro total da planta, fornecido pela associação Abrace Esperança, em vez de substâncias isoladas em laboratório.

​”Estamos demonstrando que a cannabis tem potencial e pode tratar o Alzheimer”, afirma Francisney Nascimento.

​Novidades regulatórias e futuro

​A divulgação dos resultados coincide com um marco importante no Brasil. Em janeiro de 2026, a Anvisa aprovou novas regras que permitem o cultivo de cannabis medicinal por universidades e instituições de pesquisa no país. A medida deve acelerar a produção nacional de medicamentos e baratear o acesso, já que, atualmente, muitos pacientes dependem de importações ou doações de associações.

​Uma nova fase da pesquisa já foi iniciada na Unila, ampliando o grupo de estudo para 70 voluntários, com o objetivo de refinar as dosagens e consolidar os protocolos para o uso em larga escala pelo sistema de saúde.

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