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Agro dos EUA perde 15 mil fazendas e rebanho bovino atinge mínima histórica em 2025

Agro dos EUA perde 15 mil fazendas e rebanho bovino atinge mínima histórica em 2025

​O setor agrícola dos Estados Unidos encerrou o ano de 2024 e iniciou 2025 sob o signo de uma transformação estrutural severa. De acordo com o mais recente relatório “Land in Farms” do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país perdeu 15 mil fazendas em apenas um ano, totalizando agora 1,865 milhão de propriedades. Paralelamente, a área destinada à agricultura encolheu em 1 milhão de hectares, enquanto o setor pecuário enfrenta sua crise de oferta mais aguda em décadas.

​O avanço da concentração fundiária

​Apesar da redução no número total de fazendas, os dados revelam uma tendência clara de consolidação. As propriedades com vendas anuais superiores a US$ 1 milhão são as únicas que registraram crescimento, passando a controlar quase metade das terras agrícolas do país. Em contrapartida, as pequenas operações (com vendas entre US$ 1.000 e US$ 9.999) foram as mais atingidas, representando a maior parcela das 15 mil unidades que fecharam as portas.

​Essa mudança elevou o tamanho médio das fazendas americanas para 190 hectares, evidenciando que o “agro” nos EUA está se tornando mais concentrado e dependente de grandes operações de escala.

​Crise da carne: o rebanho no menor nível em 75 anos

​O impacto mais visível para o consumidor final e para o mercado global é a crise na pecuária de corte. Em janeiro de 2025, o inventário de gado bovino caiu para 86,7 milhões de cabeças, o nível mais baixo desde 1951. No início de 2026, os dados preliminares indicam uma nova queda para 86,2 milhões.

Fatores que impulsionaram o declínio:

  • Secas prolongadas: Anos de falta de chuva em estados produtores forçaram o abate precoce de matrizes.
  • Custos de produção: O preço da ração e dos insumos corroeu as margens dos pequenos produtores.
  • Falências: Em 2025, os pedidos de falência no campo (Chapter 12) deram um salto de 46% em relação ao ano anterior, totalizando 315 casos registrados pela Federação Americana de Escritórios Agrícolas (AFBF).

​Reflexos no bolso: carne bovina vira item de luxo

​A escassez de oferta empurrou os preços para patamares recordes. Em dezembro de 2025, o preço médio da carne moída nos EUA atingiu US$ 6,69 por libra-peso (cerca de R$ 73,00 o quilo, em conversão direta), uma alta de 72% desde 2020. Analistas do setor preveem que os preços continuem subindo em 2026, já que o ciclo de reconstrução do rebanho é lento e não deve mostrar sinais de recuperação robusta antes de 2028.

​O cenário para 2026

​Enquanto outros setores, como o de ovos e leite, mostram sinais de estabilização ou queda nos preços para este ano, a carne bovina permanece como o ponto de maior tensão na inflação de alimentos dos EUA. A combinação de menor produção doméstica e demanda resiliente tem forçado os EUA a aumentar as importações, o que abre janelas de oportunidade para exportadores globais, mas mantém a pressão sobre a segurança alimentar e a viabilidade econômica das famílias rurais americanas.

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