ARGENTINA ENFRENTA GREVE geral contra reforma trabalhista de Milei sob forte esquema de segurança e tensão com a imprensa
A Argentina amanheceu paralisada nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026) devido a uma greve geral de 24 horas convocada pelas principais centrais sindicais, lideradas pela Confederação Geral do Trabalho (CGT). O movimento é um protesto direto contra o projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei, que está sendo debatido na Câmara dos Deputados após ter sido aprovado pelo Senado na última semana.
Enquanto os sindicatos tentam barrar o que chamam de “retrocesso de cem anos”, o governo Milei endureceu o discurso, prometendo repressão contra bloqueios de vias e emitindo alertas incomuns a jornalistas que cobrem as manifestações.
O centro da disputa: a jornada de 12 horas
O texto em votação propõe mudanças profundas na legislação laboral argentina, estagnada desde a década de 1970. Entre os pontos mais polêmicos estão:
- Flexibilização da Jornada: A criação de um regime que permite até 12 horas de trabalho diárias, sem pagamento de horas extras, desde que o limite semanal de 48 horas seja respeitado através de um banco de horas.
- Indenizações e Multas: Redução dos valores de indenização por demissão e eliminação de multas para empresas que não registraram formalmente seus funcionários, visando, segundo o governo, incentivar a formalização.
- Direito de Greve: O projeto classifica setores como transporte e educação como “essenciais”, exigindo a manutenção de 50% a 75% dos serviços durante paralisações.
Tensão com a imprensa e “Protocolo Antipiquete”
Um dos aspectos mais alarmantes desta jornada é a postura do Ministério da Segurança. Em um comunicado oficial, o governo Milei determinou que os jornalistas devem seguir “medidas de segurança” específicas e indicou a criação de “zonas exclusivas” para a imprensa.
A Associação de Correspondentes Estrangeiros da Argentina expressou “profunda preocupação”, vendo a medida como uma tentativa de limitar a liberdade de circulação e o registro de eventuais abusos policiais. Durante os protestos da última semana, cerca de 30 pessoas foram detidas e houve diversos relatos de violência policial contra profissionais da mídia.
Cenário econômico e político
A greve ocorre em um momento crítico para a gestão ultraliberal. Apesar de Milei buscar a sanção da lei antes de seu discurso anual no Congresso em 1º de março, a Argentina enfrenta uma recessão profunda, com queda na atividade industrial e perda de cerca de 300 mil postos de trabalho formais desde o início de seu mandato.
Para o governo, as leis atuais “favorecem a informalidade”. Para os sindicatos, Milei está “condenando os direitos das futuras gerações” para favorecer o capital financeiro e as exigências de ajuste fiscal.
A sessão na Câmara dos Deputados começou às 14h e a expectativa é de que a votação avance pela madrugada de sexta-feira. Caso o texto sofra alterações, ele precisará retornar ao Senado para uma validação final.

































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