BC DECRETA liquidação do Banco Pleno e amplia impacto do Caso Master no sistema financeiro
O Banco Central (BC) anunciou, na manhã desta quarta-feira (18 de fevereiro de 2026), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM). A medida representa o oitavo desdobramento severo contra instituições ligadas ao controverso Caso Master, elevando a conta de ressarcimentos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para um patamar histórico.
Crise de liquidez e descumprimento de normas
Segundo o comunicado oficial da autoridade monetária, a decisão foi motivada pelo acentuado comprometimento da situação econômico-financeira do conglomerado. O BC citou a “deterioração da situação de liquidez”, além de infrações graves às normas que disciplinam a atividade bancária e o descumprimento de determinações anteriormente impostas pelo regulador.
Com a decretação, os bens dos controladores e administradores do Banco Pleno foram imediatamente tornados indisponíveis. O BC informou que continuará apurando as responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e no encaminhamento de provas ao Ministério Público e à Polícia Federal.
O elo com o Banco Master e Augusto Lima
O Banco Pleno, que operava anteriormente sob a marca Banco Voiter (e antes como Indusval), estava sob o controle do empresário Augusto Ferreira Lima. Lima é figura central nas investigações: ex-CEO e ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, ele havia assumido o controle total do Pleno em agosto de 2025, após deixar a sociedade no Master.
Embora o FGC reforce que o Pleno não integrava formalmente o conglomerado Master no momento da quebra, o vínculo entre os executivos e as operações cruzadas colocam a instituição no centro da “Operação Compliance Zero”. Augusto Lima chegou a ser preso preventivamente em novembro de 2025 em fases anteriores da investigação que apura fraudes bilionárias.
Rombo bilionário e proteção aos investidores
A liquidação do Banco Pleno adiciona uma fatura estimada em R$ 4,9 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos. Com isso, o custo total das liquidações associadas ao ecossistema do Banco Master já ultrapassa os R$ 51,8 bilhões, pressionando a estrutura do FGC e motivando discussões no governo sobre reformas estruturais no sistema de garantias bancárias.
O que acontece agora com os clientes:
- Garantia do FGC: Investidores que possuem depósitos em conta corrente, poupança ou CDBs do Banco Pleno têm direito ao ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
- Procedimento: O liquidante nomeado pelo BC deve consolidar a lista de credores nos próximos dias. Os clientes deverão realizar a solicitação de reembolso preferencialmente pelo aplicativo oficial do FGC.
- Porte da Instituição: O BC tranquilizou o mercado ao classificar o Pleno como uma instituição de pequeno porte (segmento S4), detendo apenas 0,04% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional, o que afasta riscos de contágio sistêmico imediato.
A queda do Banco Pleno ocorre em um momento de alta tensão política, com o Congresso Nacional avaliando a abertura de uma CPI para investigar a relação entre o Banco Master, autoridades do Judiciário e o suposto esquema de créditos fraudulentos que teria lesado milhares de investidores e instituições públicas.

































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