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BLOCO ZONA DO MANGUE e Vila Mimosa reúnem foliões e ativistas para combater estigmas contra trabalhadoras do sexo no Rio

BLOCO ZONA DO MANGUE e Vila Mimosa reúnem foliões e ativistas para combater estigmas contra trabalhadoras do sexo no Rio

RIO DE JANEIRO – Sob o som de marchinhas e versos que exaltam a “potência da região”, o tradicional Bloco Zona do Mangue desfilou pelas ruas próximas à Vila Mimosa, no Rio de Janeiro, com uma missão que vai além da folia: integrar as trabalhadoras do sexo à festa e romper o preconceito histórico que recai sobre a categoria. O desfile, ocorrido nesta semana, reforça o papel do Carnaval como espaço de reivindicação política e visibilidade social.

​No topo do carro de som, o apelo era claro: “É uma vida difícil e elas merecem respeito”. A iniciativa, liderada por figuras como Cleide Almeida, assistente social e presidente do bloco, busca transformar a visão negativa que a sociedade ainda mantém sobre a Vila Mimosa. “As pessoas precisam conhecer a história dessas mulheres, não as julgar. O bloco é para derrubar tabus”, afirmou Cleide durante a concentração.

​Desafios da visibilidade e o medo da exposição

​Apesar do acolhimento, a integração plena ainda enfrenta barreiras complexas. Muitas trabalhadoras, como Estrela, de 58 anos, preferem observar a festa à distância, das calçadas ou do interior dos bares. O medo de serem filmadas e o receio da exposição midiática — que pode gerar represálias em seus círculos familiares ou sociais — ainda mantêm muitas profissionais afastadas do centro do cortejo.

​Além do estigma, fatores socioeconômicos pesam na ausência: jornadas exaustivas, a necessidade de cuidar dos filhos e a falta de apoio financeiro para projetos sociais contínuos na região dificultam a participação em atividades como oficinas de percussão.

​O tema ganha força na Sapucaí em 2026

​A pauta da dignidade das trabalhadoras do sexo não ficará restrita aos blocos de rua. A escola de samba Unidos do Porto da Pedra já anunciou que levará a história da prostituição para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026. Com o enredo desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes, a escola pretende homenagear ativistas históricas como Gabriela Leite e figuras emblemáticas como Dona Beija e Hilda Furacão.

​O objetivo da agremiação de São Gonçalo é mesclar informação histórica com a luta política pelos direitos das mulheres, consolidando 2026 como um ano de debate intenso sobre a regulamentação e o respeito à categoria.

​Redes de proteção e campanhas oficiais

​A mobilização das trabalhadoras ocorre em paralelo a campanhas governamentais de proteção à mulher. O Ministério das Mulheres lançou para este Carnaval a campanha nacional “Se liga ou eu ligo 180”, focada no enfrentamento à violência e ao assédio. No Rio, a articulação entre blocos de temática social e a prefeitura busca garantir que a festa seja, acima de tudo, um ambiente seguro para todas as mulheres, independentemente de sua profissão.

​Para os organizadores do Zona do Mangue, o desfile deste ano é mais um passo na luta para que a Vila Mimosa seja vista não apenas como um ponto de prostituição, mas como um território de cidadania, onde mães, irmãs e avós buscam sustento e, agora, o direito de também serem foliãs.

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