CARNAVAL: PAIS não devem postar imagens de crianças, alertam especialistas e organizações de proteção
BRASÍLIA – Com a chegada do Carnaval 2026, especialistas em direitos digitais e proteção à infância reforçam um alerta crucial para as famílias: a exposição excessiva de crianças e adolescentes nas redes sociais, prática conhecida como sharenting, pode atrair riscos graves que vão desde a violação da privacidade até a exploração sexual digital.
Maurício Cunha, presidente da ChildFund Brasil, destaca que o período carnavalesco registra historicamente um aumento nas violações de direitos humanos. Segundo o pesquisador, o que parece ser um registro inocente da folia pode ser capturado por redes criminosas. “A gente orienta as famílias a desligar a localização e evitar fotos, vídeos e lives. Uma foto simples pode ser manipulada ou parar em redes de conteúdo inadequado”, afirmou em entrevista à Agência Brasil nesta quinta-feira (12).
Os riscos do “Sharenting” na folia
O termo sharenting (junção das palavras inglesas share, compartilhar, e parenting, paternidade) descreve o hábito dos responsáveis de publicar detalhes da rotina dos filhos. No Carnaval, o perigo é potencializado pelo uso de fantasias que, em mãos erradas, podem ser utilizadas para a sexualização precoce ou para alimentar fóruns de pedofilia.
Além dos riscos externos, psicólogos alertam para o impacto na saúde mental e no desenvolvimento da identidade. Ao serem expostas para obter “curtidas”, as crianças podem crescer dependentes da validação digital, perdendo a espontaneidade de apenas brincar.
Campanhas de proteção em 2026
O Governo Federal e órgãos do Judiciário lançaram mobilizações nacionais para garantir uma folia segura. A campanha “Pule, Brinque e Cuide”, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, conclama a sociedade a ser vigilante. Já o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promove o “Bloquinho do Respeito”, com foco no combate à exploração do trabalho infantil e ao consumo de álcool por menores.
Recomendações para os responsáveis:
Para quem vai levar os pequenos para os blocos e matinês, as orientações de segurança atualizadas incluem:
- Evite fotos públicas: Se quiser registrar o momento, guarde as imagens para o álbum da família ou compartilhe apenas em grupos privados e fechados.
- Identificação física: Use pulseiras ou crachás com o nome da criança e o telefone do responsável.
- Desative a geolocalização: Não publique fotos que mostrem o local exato onde a criança se encontra em tempo real.
- Consentimento: Para crianças maiores, pergunte se elas se sentem confortáveis com a publicação.
- Denuncie: Caso presencie qualquer violação, utilize o Disque 100, canal gratuito que funciona 24 horas.
Especialistas lembram que a internet é a “maior praça pública do mundo”. Assim como não se deixaria uma criança sozinha em um bloco lotado, não se deve deixá-la desprotegida na vitrine digital das redes sociais.

































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