CHINA amplia domínio no setor ferroviário brasileiro com nova fábrica em Araraquara para atender Metrô de SP e Minas Gerais
SÃO PAULO – A gigante estatal chinesa CRRC, maior fabricante de equipamentos ferroviários do mundo, consolidou nesta semana sua ofensiva no mercado brasileiro ao iniciar a ocupação de uma unidade industrial em Araraquara, no interior de São Paulo. A movimentação marca um passo estratégico para a China: a transição de exportadora de trens prontos para fabricante local de componentes e montadora em solo nacional, ocupando o vácuo deixado por empresas como a sul-coreana Hyundai Rotem.
Produção local e investimento milionário
Com um investimento inicial de R$ 50 milhões, a CRRC Brasil assume a planta anteriormente utilizada pela Hyundai Rotem. A meta imediata é a fabricação de 44 novos trens destinados às Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô de São Paulo. As novas composições contarão com tecnologia de ponta, incluindo o sistema open gangway (passagem livre entre vagões) e capacidade para até 1,8 mil passageiros.
Além de São Paulo, o avanço chinês já alcança Minas Gerais. O governo mineiro confirmou que a CRRC fornecerá 24 novos trens para o Metrô de Belo Horizonte, com as primeiras unidades previstas para chegar ao Brasil até setembro de 2025 e operação plena estimada para 2026.
Por que o Brasil é o foco agora?
A estratégia da CRRC vai além do fornecimento imediato. Ao estabelecer uma base em Araraquara, a empresa se posiciona para disputar projetos ambiciosos que devem transformar o transporte ferroviário brasileiro nos próximos anos:
- Trem Intercidades (TIC): O projeto que ligará São Paulo a Campinas e Jundiaí tem a CRRC como peça-chave no consórcio vencedor.
- Ferrovia Bioceânica: Brasil e China assinaram recentemente acordos para estudar o corredor que ligará o Atlântico ao Pacífico (via Peru), um projeto que pode demandar milhares de quilômetros de trilhos e novos componentes fabricados localmente.
- Manutenção e Componentes: A nova unidade funcionará como um polo de reposição de peças para as frotas chinesas que já operam no Rio de Janeiro e em outras capitais, reduzindo custos logísticos e dependência de importações.
Impacto econômico
A chegada da fabricante deve gerar, inicialmente, 100 empregos diretos na região de Araraquara, com potencial de expansão conforme novos contratos de concessão ferroviária sejam leiloados. “A presença da CRRC consolida o interior paulista como um polo tecnológico ferroviário e atrai toda uma cadeia de fornecedores de componentes”, afirmam especialistas do setor.
Com o custo de produção altamente competitivo e suporte financeiro de bancos estatais chineses, a CRRC desbancou concorrentes tradicionais e já é considerada a “queridinha” das concessionárias de mobilidade no Brasil, alterando permanentemente o mapa da indústria ferroviária na América Latina.

































Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.