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China amplia sistema de ‘chuva artificial’ e busca controle climático total até 2025

China amplia sistema de ‘chuva artificial’ e busca controle climático total até 2025

Formas artificiais de controlar as chuvas são pauta importante para a China há mais de 60 anos. Hoje, o país conduz as maiores operações de semeadura de nuvens do mundo, mas a escala monumental desses projetos gera controvérsias internacionais e debates sobre a “soberania da chuva”.

Avanços recentes e metas para 2025

O governo chinês, liderado pelo Conselho de Estado, estabeleceu o ambicioso objetivo de possuir um sistema de modificação climática de alta tecnologia plenamente desenvolvido até o final de 2025. De acordo com dados recentes da agência de notícias Xinhua, entre 2021 e 2025, as operações de aumento de chuva e neve no país conseguiram incrementar a precipitação em mais de 167 bilhões de toneladas.

​O plano visa cobrir uma área de 5,5 milhões de quilômetros quadrados com chuva ou neve artificial — uma extensão que equivale a mais de 60% do território brasileiro. O foco principal é o “cinturão de grãos” no norte do país, essencial para a segurança alimentar, e a preservação do ecossistema no planalto tibetano, conhecido como a “caixa d’água” da Ásia.

Drones e IA: a nova fronteira tecnológica

A técnica tradicional, que utiliza foguetes e aviões para disparar partículas de iodeto de prata nas nuvens, está sendo rapidamente modernizada.

  • Drones de alta precisão: Em experimentos realizados em 2024 e início de 2025, a China passou a utilizar drones de grande porte capazes de sobrevoar áreas remotas por longos períodos. Em Xinjiang, o uso de apenas 1 kg de iodeto de prata via drone gerou precipitação equivalente a 30 piscinas olímpicas.
  • Formação especializada: Para sustentar esse avanço, foi inaugurado o primeiro Instituto de Modificação Climática na Universidade de Tecnologia de Informação de Chengdu, com foco em física de nuvens e o uso de Big Data e Inteligência Artificial para prever exatamente onde e quando a semeadura será mais eficaz.

O “roubo de chuva” e as tensões geopolíticas

Embora Pequim defenda que o projeto é vital para combater secas severas e garantir a agricultura, países vizinhos, como a Índia e Taiwan, expressam preocupação. O principal receio é que a manipulação climática em larga escala possa “sequestrar” a umidade que naturalmente seguiria para outras regiões, alterando os padrões de monções e afetando rios transfronteiriços.

​Além do uso agrícola, a China consolidou o controle climático como uma ferramenta de relações públicas. A técnica foi utilizada com sucesso para garantir céus limpos e reduzir a poluição em eventos como o centenário do Partido Comunista (2021) e as Olimpíadas de Inverno de Pequim (2022).

Riscos e incertezas

Especialistas alertam que, apesar dos avanços, a ciência por trás da semeadura de nuvens ainda enfrenta ceticismo. Estudos sugerem que o aumento real na precipitação raramente excede 10% a 15%. Além disso, o impacto a longo prazo do acúmulo de iodeto de prata no solo e os efeitos imprevisíveis na dinâmica atmosférica global permanecem como grandes pontos de interrogação para a comunidade científica internacional.

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