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COLHEITA DA SOJA perde ritmo no Brasil enquanto produtores e Conab monitoram perdas por estiagem no RS

COLHEITA DA SOJA perde ritmo no Brasil enquanto produtores e Conab monitoram perdas por estiagem no RS

A colheita da soja na safra 2025/26 no Brasil apresentou uma desaceleração na última semana, perdendo o fôlego que mantinha desde o início de janeiro. De acordo com dados da consultoria AgRural, os trabalhos de campo atingiram 21% da área cultivada até a última quinta-feira (12), um avanço em relação aos 16% da semana anterior, mas ainda abaixo dos 24% registrados no mesmo período do ciclo passado.

​Enquanto estados como Mato Grosso lideram o avanço com quase metade da área colhida (46,8%), o foco das atenções e das preocupações do setor agropecuário se volta para o Rio Grande do Sul. O estado gaúcho enfrenta um cenário de estiagem severa e temperaturas que ultrapassam os 40 ºC, comprometendo lavouras em estágios críticos de floração e enchimento de grãos.

​Impactos no Rio Grande do Sul

​Relatos da Emater/RS e de produtores locais indicam perdas irreversíveis. Em regiões como as Missões e a Fronteira Oeste, o abortamento de flores e o murchamento precoce das plantas já resultam em quebras de produtividade que variam de 25% a 80% em áreas mais críticas. O “cenário devastador” descrito por produtores de municípios como Bagé, Manoel Viana e São Borja coloca em xeque a expectativa de uma safra recorde para o estado.

​Estimativas da Conab e USDA

​Apesar das dificuldades regionais, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou recentemente suas projeções nacionais. Em seu 5º levantamento para a safra 2025/26, divulgado em fevereiro de 2026, a estatal elevou a estimativa de produção de soja para 178 milhões de toneladas, o que representaria um aumento de 3,8% em relação à temporada anterior.

​Paralelamente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostrou-se ainda mais otimista em seu último relatório, projetando a safra brasileira em 180 milhões de toneladas. No entanto, ambos os órgãos reconhecem que os números finais dependerão da confirmação das perdas no Sul, que ainda estão sendo apuradas tecnicamente.

​Mercado e Clima

​O atraso na colheita e a incerteza climática trazem instabilidade aos preços. Se por um lado o Centro-Oeste avança com bons rendimentos, o “grito final” dos produtores gaúchos, como define a consultoria local, alerta para uma crise de liquidez, onde muitos agricultores temem não conseguir cobrir sequer os custos de produção.

​Para os próximos dias, a previsão indica chuvas irregulares, o que pode não ser suficiente para recuperar as plantas já afetadas pelo estresse hídrico prolongado, consolidando a safra 2025/26 como um ciclo de contrastes extremos para o agronegócio brasileiro.

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