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Comando Vermelho impõe fim de conflitos e líderes de torcidas renunciam no Ceará

Comando Vermelho impõe fim de conflitos e líderes de torcidas renunciam no Ceará

Em um desdobramento que revela a crescente influência do crime organizado em setores da sociedade civil, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e os serviços de inteligência da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) investigam mensagens atribuídas à facção Comando Vermelho (CV) ordenando a suspensão total de brigas entre torcidas organizadas no estado. A determinação teria ocorrido após o último Clássico-Rei, em fevereiro de 2026, marcado por uma batalha campal que resultou em mais de 350 prisões e na interrupção temporária da partida na Arena Castelão.

​Ordem do crime e renúncias em massa

​As investigações apontam que a facção teria emitido um “salve” (comunicado interno do crime) proibindo os confrontos. A justificativa seria evitar que o policiamento intensificado nos dias de jogos atrapalhasse a logística do tráfico de drogas e a circulação de membros do grupo em bairros periféricos de Fortaleza.

​Sob pressão direta das ordens emanadas pelos presídios e pelas ruas, as principais lideranças das torcidas organizadas de Ceará e Fortaleza anunciaram suas renúncias em postagens nas redes sociais. Presidentes e diretores de agremiações como Cearamor e Movimento Organizado Força Independente (MOFI) deixaram seus cargos alegando “motivos pessoais” ou a necessidade de “novos ares”, mas investigadores afirmam que a saída foi forçada pela intervenção da facção. A torcida MOFI Serrinha, inclusive, chegou a anunciar o encerramento de suas atividades por tempo indeterminado.

​O caos que motivou a intervenção

​O estopim para essa “intervenção” criminosa foi o confronto ocorrido no dia 8 de fevereiro de 2026. A briga generalizada mobilizou centenas de policiais, resultando em:

  • 357 detidos, incluindo 113 adolescentes;
  • 159 prisões preventivas decretadas pela Justiça após as audiências de custódia;
  • Apreensão de materiais de guerra, como artefatos explosivos artesanais, socos ingleses e barras de ferro.

​Medidas da Justiça para 2026

​Diante da gravidade, a Justiça do Ceará tomou medidas drásticas para o primeiro Clássico-Rei de 2025/2026. O Ministério Público confirmou a proibição da presença de torcidas organizadas com uniformes, faixas ou adereços em jogos específicos. Além disso, os órgãos de segurança estão utilizando tecnologia de reconhecimento facial nos arredores dos estádios para identificar infratores e membros de grupos criminosos.

​Embora o cenário de “paz forçada” reduza temporariamente a violência nos estádios, especialistas em segurança pública alertam para o perigo da validação do poder das facções sobre o direito de lazer e o esporte. O Governo do Estado reforçou que as investigações continuam para identificar a origem das ordens e impedir que o crime organizado dite as regras do futebol cearense.

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