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Conselho da Paz de Trump se reúne pela 1ª vez para traçar o futuro de Gaza

Conselho da Paz de Trump se reúne pela 1ª vez para traçar o futuro de Gaza

WASHINGTON – Em um movimento que busca consolidar sua influência na geopolítica do Oriente Médio, o presidente Donald Trump presidiu, nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026), a reunião inaugural do seu recém-criado “Conselho da Paz”. O encontro, realizado no Instituto da Paz dos Estados Unidos — agora renomeado para Donald J. Trump U.S. Institute of Peace —, reuniu delegações de cerca de 40 países e marcou o início da fase de reconstrução e governança da Faixa de Gaza.

​A iniciativa é o pilar central do plano de 20 pontos apresentado por Trump em setembro de 2025. Após dois anos de conflito devastador entre Israel e o Hamas, o presidente americano declarou que a guerra “acabou”, embora tenha reconhecido a existência de “pequenas chamas” de resistência. O objetivo do Conselho é supervisionar a transição de Gaza para um território desmilitarizado e gerenciar um fundo multibilionário para sua reconstrução.

​Principais pontos e anúncios do encontro:

  • Financiamento Bilionário: Trump anunciou que nove membros do conselho já prometeram cerca de US$ 7 bilhões para um fundo de ajuda humanitária e infraestrutura. Os Estados Unidos, por sua vez, empenharam US$ 10 bilhões adicionais para apoiar as operações do Conselho.
  • Força de Estabilização: Foi confirmada a criação da Força de Estabilização Internacional (ISF), liderada pelo Major-General Jasper Jeffers. O contingente previsto é de 12 mil policiais e 20 mil soldados de diversas nações para garantir a segurança no enclave.
  • Desarmamento como Condição: Presente no evento, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que a reconstrução física de Gaza está estritamente condicionada ao desarmamento total do Hamas. “Não haverá reconstrução sem desmilitarização”, afirmou o líder israelense.
  • Participantes e Ausências: Entre os aliados presentes estavam o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o presidente da Argentina, Javier Milei. No entanto, a ausência do Vaticano e o ceticismo de grandes potências europeias geraram debates. O Papa Leão XIV recusou o convite, defendendo que a ONU deve continuar sendo o foro principal para crises globais.
  • Custo de Admissão: Em um detalhe que gerou controvérsia diplomática, Trump estabeleceu que, embora a adesão temporária seja gratuita, países que desejarem um assento permanente no Conselho devem contribuir com US$ 1 bilhão em dinheiro no primeiro ano.

​O papel do Brasil

​O governo brasileiro, convidado a integrar o grupo, ainda não deu uma resposta oficial. O presidente Lula expressou preocupações de que o Conselho possa atuar como uma “ONU paralela” e sugeriu, em conversas prévias, que o escopo do organismo se limite estritamente à Faixa de Gaza, evitando uma expansão de mandato para outros conflitos globais, como Trump sinalizou pretender.

​Cenário em Gaza

​Enquanto a diplomacia avança em Washington, o clima no terreno permanece tenso. Dados recentes do Ministério da Saúde local indicam que mais de 72 mil pessoas morreram desde o início do conflito em 2023. Apesar do cessar-fogo mediado em outubro de 2025, violações pontuais continuam a ocorrer, e a entrega de ajuda humanitária — agora fixada em uma meta de 600 caminhões por dia — é vista como o teste imediato para a eficácia do plano de Trump.

​O Secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou a urgência da iniciativa: “Não existe um ‘plano B’ para Gaza. O plano B seria o retorno à guerra, e ninguém aqui quer isso”.

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