CUBA à beira do colapso: falta de combustível e apagões de 20 horas levam população ao limite em 2026
HAVANA – O que era uma crise severa em 2024 transformou-se, em fevereiro de 2026, em um cenário de paralisia quase total na ilha de Cuba. Com o estoque de petróleo estimado para apenas mais duas semanas e a rede elétrica em frangalhos, o governo de Miguel Díaz-Canel decretou medidas de emergência que alteram drasticamente a rotina do país, enquanto a população recorre a métodos de sobrevivência do século passado.
O abismo energético: “Cozinhamos para a vizinhança”
A frase que ecoa nos bairros de Havana e das províncias do interior — “Cozinhamos com carvão e lenha para três famílias” — não é apenas força de expressão, mas a realidade de uma rede elétrica que colapsa sistematicamente. Em muitas regiões, os apagões agora superam as 15 a 20 horas diárias.
A escassez de querosene e gás liquefeito forçou o surgimento de um mercado informal de carvão vegetal e fogareiros artesanais à beira das estradas. Famílias se unem para otimizar o pouco calor disponível, cozinhando em grandes caldeirões para alimentar vizinhos e parentes, revivendo o espírito de subsistência do “Período Especial” dos anos 90, mas sob condições tecnológicas ainda mais precárias.
As causas: Pressão externa e colapso de aliados
A gravidade do momento atual (fevereiro de 2026) é alimentada por uma “tempestade perfeita” de fatores geopolíticos:
- Fim do petróleo venezuelano: Após mudanças políticas drásticas na Venezuela e a prisão de figuras do alto escalão em Caracas, o fornecimento de petróleo subsidiado, que era o pulmão de Cuba, foi interrompido.
- A “Asfixia” de Washington: O governo de Donald Trump intensificou o bloqueio, emitindo ordens executivas que ameaçam com tarifas pesadas qualquer país (como México ou Rússia) que forneça petróleo à ilha.
- Infraestrutura obsoleta: Menos de 5% da matriz energética cubana vem de fontes renováveis. As usinas termoelétricas, dependentes de combustíveis fósseis, operam muito além de sua vida útil e sem peças de reposição.
Impacto nos céus e no turismo
A crise atingiu um novo patamar na última semana, quando as autoridades cubanas emitiram um aviso internacional (NOTAM) informando que o país não possui mais combustível para abastecer aeronaves comerciais (Jet A-1).
- Voos cancelados: Companhias aéreas internacionais agora são obrigadas a realizar escalas técnicas em outros países do Caribe apenas para reabastecer e conseguir retornar aos seus destinos.
- Hotéis no escuro: O turismo, principal fonte de divisas, está em xeque. Hotéis de luxo em Varadero e Havana estão operando com geradores limitados, e governos como o do Canadá já emitiram alertas para que seus cidadãos evitem viagens não essenciais à ilha.
Medidas de emergência e o futuro incerto
O governo cubano anunciou a suspensão de serviços não essenciais e a implementação da semana de trabalho de quatro dias para reduzir o consumo de energia. O combustível restante está sendo priorizado estritamente para hospitais, serviços de água e defesa.
Enquanto o México envia ajuda humanitária em forma de alimentos e produtos de higiene para tentar aliviar o descontentamento social, a ONU alerta para um “colapso humanitário iminente”. Sem uma solução diplomática ou uma nova fonte de energia a curto prazo, 2026 desenha-se como o ano em que Cuba enfrenta seu desafio mais existencial desde a revolução de 1959.

































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