Dinheiro é jogado pela janela em operação da PF que mira Rioprevidência e Banco Master
Uma cena cinematográfica marcou a terceira fase da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (11 de fevereiro de 2026). Durante o cumprimento de mandados em um condomínio de luxo em Balneário Camboriú, Santa Catarina, um dos investigados arremessou uma mala contendo R$ 429 mil em espécie pela janela do 30º andar para tentar se livrar das evidências. O dinheiro foi recuperado pelos agentes no solo.
A ofensiva é um desdobramento da investigação que apura um suposto esquema de corrupção e gestão fraudulenta envolvendo o Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro) e aportes de quase R$ 1 bilhão no Banco Master.
Detalhes da Operação e Novos Alvos
Nesta fase, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro nas cidades de Balneário Camboriú e Itapema. Além da mala de dinheiro, foram apreendidos dois carros de luxo e dois smartphones.
O objetivo principal desta etapa foi recuperar bens e valores que teriam sido retirados de um imóvel no Rio de Janeiro logo após a primeira fase da operação, em 23 de janeiro, evidenciando uma tentativa deliberada de ocultação de provas.
Histórico e Prisões
O caso ganhou tração na semana passada com a prisão do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes. Ele foi detido pela PF e pela Polícia Rodoviária Federal em Itatiaia (RJ), após desembarcar de uma viagem aos Estados Unidos e tentar evitar o retorno direto ao Rio de Janeiro. Antunes, que renunciou ao cargo em janeiro, é suspeito de obstrução de justiça.
Além de Antunes, a investigação atinge outros nomes do alto escalão da autarquia:
- Euchério Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos.
- Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.
O Foco da Investigação: R$ 970 Milhões no Banco Master
A “Barco de Papel” foca na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras (títulos de renda fixa) emitidos pelo Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024. A PF aponta que essas operações colocaram em risco o patrimônio de cerca de 235 mil servidores públicos estaduais, beneficiando a instituição financeira em detrimento da segurança do fundo de pensão. Recentemente, o Banco Master foi alvo de liquidação pelo Banco Central, o que intensificou o escrutínio sobre as perdas potenciais.
Os envolvidos podem responder por crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta, desvio de recursos, corrupção passiva e associação criminosa. Em notas anteriores, o Rioprevidência afirmou que seus investimentos seguem a legislação e as normas de mercado.

































Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.