ELEIÇÃO de 2026 deve repetir clima antissistema e polarização entre Lula e Clã Bolsonaro, aponta Eurasia
O cenário político para as eleições de 2026 começa a se consolidar com contornos que remetem ao pleito de 2018. Segundo análise de Christopher Garman, diretor para as Américas da consultoria de risco Eurasia Group, o Brasil deve enfrentar novamente um forte sentimento “antissistema”, mesmo em um contexto econômico de leve crescimento. A disputa, que hoje tem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro como protagonistas nas pesquisas, deve ser decidida por uma fatia estreita de 10% do eleitorado, com foco central em segurança pública e custo de vida.
O “X” da questão: Segurança e Economia
Apesar de indicadores econômicos mostrarem resiliência, o “bolso” e a “sensação de segurança” continuam sendo os calcanhares de Aquiles dos governantes. Para a Eurasia, a percepção de melhora econômica nem sempre se traduz em aprovação imediata, especialmente quando o custo de vida — como o preço de alimentos e energia — pressiona as famílias. No campo da segurança, o tema ganhou tração com a discussão de novas políticas integradas, tornando-se o principal palanque da oposição para atrair o eleitor moderado que se sente vulnerável à criminalidade.
Os números de hoje: Lula vs. Flávio Bolsonaro
Dados recentes de fevereiro de 2026 mostram um cenário de cristalização. Pesquisas de institutos como Genial/Quaest e Real Time Big Data indicam:
- Lula (PT): Lidera as intenções de voto com índices entre 35% e 39%, mantendo um “piso” sólido de apoio, mas enfrentando uma rejeição que ultrapassa os 50%.
- Flávio Bolsonaro (PL): Consolida-se como o herdeiro do capital político de Jair Bolsonaro (que permanece inelegível e sob pressão judicial). Flávio aparece com cerca de 28% a 30%, tentando adotar um tom mais moderado para atrair partidos de centro e nomes como Tarcísio de Freitas ou Romeu Zema para uma eventual chapa.
- A Terceira Via: Nomes como Ratinho Júnior (PSD) e Ronaldo Caiado (União Brasil) buscam espaço como alternativas, mas ainda patinam em um dígito, tentando se apresentar como gestores eficientes em segurança e agronegócio.
O papel da Inteligência Artificial e o risco global
O relatório “Top Risks 2026” da Eurasia também alerta para um novo componente disruptivo: o uso massivo de Inteligência Artificial nas campanhas. Em uma democracia altamente polarizada, a desinformação impulsionada por IA pode desequilibrar a balança em uma eleição que promete ser decidida por margens mínimas, possivelmente inferiores a 3 pontos percentuais, conforme sugerem analistas de dados.
O clima de “nós contra eles” deve perdurar, com o eleitorado dividido entre o medo da volta do bolsonarismo e a insatisfação com a continuidade do atual governo. O desafio dos candidatos será romper essa bolha e conquistar o eleitor “nem-nem”, que prioriza resultados práticos no dia a dia em vez de alinhamento ideológico.

































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