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Estudante uruguaio registra ave “invisível” após anos de busca

Estudante uruguaio registra ave “invisível” após anos de busca

A observação de aves pode ser tão emocionante quanto um gol decisivo em uma final de futebol. É assim que o estudante de biologia Mauricio Silvera descreve a sensação de finalmente encontrar o urutaú (Nyctibius griseus), uma das aves mais enigmáticas da América do Sul. Após anos de expedições pelo norte do Uruguai, Silvera conseguiu o que poucos alcançam: documentar um exemplar adulto protegendo sua cria em seu habitat natural.

​Conhecido popularmente como “ave-fantasma” ou “mãe-da-lua”, o urutaú é um mestre da camuflagem. Sua plumagem cinzenta e amarronzada mimetiza perfeitamente a casca das árvores, permitindo que ele passe o dia imóvel, parecendo apenas o prolongamento de um tronco seco. Essa estratégia de sobrevivência é complementada por uma adaptação biológica única: o “olho mágico”. Duas fendas nas pálpebras permitem que a ave vigie o ambiente e detecte predadores mesmo quando está com os olhos aparentemente fechados.

​Mitos e realidade científica

​Embora seja uma espécie inofensiva que se alimenta exclusivamente de insetos capturados durante o voo, o urutaú é frequentemente alvo de superstições. Seu canto, um assobio melancólico que lembra um lamento humano, alimenta lendas rurais sobre espíritos ou presságios negativos. No entanto, o trabalho de jovens pesquisadores como Mauricio Silvera busca desmistificar a espécie, destacando sua importância ecológica e a necessidade de conservação.

​Descobertas recentes

​Estudos recentes e dados de ciência cidadã trouxeram novas luzes sobre o comportamento do animal. Embora tradicionalmente visto como uma ave residente, pesquisas apontam que o urutaú pode apresentar comportamentos migratórios em certas regiões, o que explicaria seu desaparecimento temporário de algumas áreas durante o ano.

​Além disso, a presença da ave em áreas urbanas tem se tornado mais comum. Recentemente, registros em cidades como Chapecó, no Brasil, e em parques de Foz do Iguaçu reforçam a capacidade de adaptação da espécie, embora biólogos alertem para os riscos da urbanização e recomendem que a ave não seja “resgatada” ao ser vista imóvel, já que esse é o seu comportamento natural de descanso e defesa.

​Para Silvera, o registro no Uruguai é um marco para a biologia local, comprovando a reprodução da espécie em território uruguaio e incentivando o respeito a um animal que, por séculos, preferiu permanecer escondido à vista de todos.

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