ESTUDANTES E governo do Irã travam novos confrontos em universidades após repressão sangrenta
Estudantes de diversas universidades do Irã retomaram, neste fim de semana, as manifestações contra o governo clerical, marcando o ressurgimento da contestação em uma escala não vista desde a violenta repressão de janeiro. O movimento, que coincide com o início do novo semestre letivo, transformou os campi em campos de batalha simbólicos e físicos entre opositores e forças leais ao regime.
A BBC e agências internacionais confirmaram a veracidade de imagens que mostram estudantes marchando na Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, no sábado (21/2) e domingo (22/2). Os vídeos registram manifestantes entoando gritos de “morte ao ditador” e “vergonhoso”, este último direcionado às forças de segurança e à milícia Basij. Houve relatos de confrontos diretos dentro das instituições de ensino, onde apoiadores do governo tentaram dispersar os atos.
O luto que virou protesto
As manifestações atuais foram motivadas, em grande parte, pelas vigílias de 40 dias — um período tradicional de luto na cultura iraniana — em homenagem aos milhares de mortos durante a onda de protestos iniciada em dezembro de 2025. Embora os números oficiais do governo falem em cerca de 3.000 mortes, organizações de direitos humanos e fontes da diáspora estimam que o número real de vítimas possa ultrapassar 7.000, com dezenas de milhares de detidos.
Além da capital, Teerã, cidades como Mashhad e Abdanan também registraram focos de resistência. Na Universidade de Medicina de Mashhad, estudantes gritaram por “liberdade”, enquanto em outras instituições o boicote a exames foi utilizado como forma de pressão pela libertação de colegas presos.
Pressão externa e o fator Trump
O cenário interno de instabilidade é agravado pela crescente pressão internacional. O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, intensificou sua presença militar no Oriente Médio, enviando porta-aviões e caças para a região. Trump chegou a declarar que poderia intervir caso o regime continuasse a matar manifestantes, embora o foco recente de Washington tenha oscilado para exigências em torno do programa nuclear iraniano.
Em resposta, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou em discurso recente que o país “não baixará a cabeça” diante das ameaças externas, acusando potências estrangeiras de incitar a desordem interna.
Desafios econômicos e sociais
O que começou como uma revolta contra a inflação recorde, a desvalorização da moeda e o fim de subsídios básicos, evoluiu para uma demanda direta pela queda da República Islâmica. Com o fechamento temporário de universidades e o bloqueio intermitente da internet, o regime tenta conter a organização dos jovens, que hoje representam a linha de frente de um país profundamente dividido entre a tradição religiosa e o desejo de reformas democráticas.

































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