Galípolo agradece a Lula por suporte institucional durante intervenção no Banco Master
SÃO PAULO – Em um movimento para reafirmar a solidez das instituições brasileiras diante de uma das maiores crises bancárias recentes, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu enfaticamente a atuação do regulador no caso do Banco Master. Durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) nesta segunda-feira (9), Galípolo declarou que “agradece a Deus” por enfrentar o episódio sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, destacando a garantia de autonomia dada pelo Executivo para a condução do processo.
A fala ocorre em um momento de alta tensão, após a liquidação extrajudicial do banco controlado por Daniel Vorcaro, decretada em novembro de 2025. O presidente do BC rebateu críticas sobre uma suposta demora na intervenção, revelando que a autoridade monetária já havia aplicado um “cartão amarelo” à instituição ainda em 2024, quando foram identificadas as primeiras fragilidades de liquidez e complexidades operacionais que fugiam ao padrão do sistema financeiro.
Autonomia e suporte institucional
Galípolo sublinhou que a postura do presidente Lula e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi fundamental para que o BC e a Polícia Federal pudessem atuar sem interferências políticas. “Ter a tranquilidade de que vamos poder trabalhar com essa autonomia, sem que ninguém nos pergunte o que está sendo sugerido, e garantir essa proteção do Presidente da República é bastante importante”, afirmou o chefe da autoridade monetária.
Além do Executivo, Galípolo estendeu os agradecimentos à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). A cooperação entre esses órgãos tem sido crucial para a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e a emissão de títulos de crédito sem lastro. Segundo as investigações mais recentes, a PF conseguiu quebrar a criptografia do celular de Daniel Vorcaro, o que pode revelar novos detalhes sobre a rede de influência do banco.
Defesa da intervenção e impacto no mercado
O presidente do BC justificou a liquidação como uma medida necessária para preservar a integridade do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ele detalhou que o Banco Master apresentava um descasamento crítico entre ativos e passivos, utilizando captações agressivas (taxas de até 140% do CDI) para mascarar um rombo que quase drenou o caixa da instituição — que contava com apenas R$ 4 milhões no momento da intervenção.
Galípolo também explicou que a decisão de vetar a tentativa de compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília) foi técnica, visando impedir que o risco sistêmico se espalhasse para instituições públicas. “A instituição é vítima de um eventual problema com quem tomou as decisões. Você tenta salvar a instituição e pune as pessoas pelo malfeito”, reforçou, indicando que o foco das punições deve ser o corpo diretivo e o controlador.
Próximos passos
Enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) trabalha no ressarcimento de investidores dentro do limite legal, o Banco Central utiliza o caso para pleitear maior autonomia financeira e o uso de inteligência artificial na supervisão bancária. O objetivo é evitar que modelos de negócio baseados em “ativos podres” consigam prosperar sob o radar dos reguladores por longos períodos.
O caso Master segue sob forte escrutínio no Congresso e no Tribunal de Contas da União (TCU), onde parlamentares e ministros avaliam se houve omissão anterior, enquanto a Polícia Federal avança nas ramificações políticas do escândalo que já atinge institutos de previdência estaduais e municipais em todo o país.

































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