Lula vai à Índia para estreitar laços com Modi e na busca por US$ 20 bi em comércio
Visita de Lula a Nova Déli combina governança de inteligência artificial, expansão comercial e novo ciclo de investimentos bilaterais.
NOVA DÉLI – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca na Índia nesta semana para uma agenda estratégica que visa elevar o patamar das relações bilaterais entre as duas maiores democracias do Sul Global. O foco central da missão diplomática é ambicioso: destravar gargalos burocráticos e logísticos para atingir a meta de US$ 20 bilhões em trocas comerciais nos próximos anos, consolidando uma parceria que vai muito além das commodities.
O Triângulo Estratégico: Comércio, Energia e Tecnologia
A agenda com o primeiro-ministro Narendra Modi não se limita à balança comercial tradicional. O encontro ocorre em um momento em que ambos os países buscam protagonismo na reforma de instituições multilaterais e na liderança de temas tecnológicos de ponta.
- Inteligência Artificial (IA): Brasil e Índia buscam criar uma frente comum para a governança da IA, defendendo que o desenvolvimento dessa tecnologia não fique restrito ao eixo EUA-China. O objetivo é garantir que países em desenvolvimento tenham soberania sobre seus dados e infraestrutura digital.
- Transição Energética: A Aliança Global de Biocombustíveis, lançada anteriormente por ambos, ganha novos contornos com a discussão sobre o hidrogênio verde e a expansão do uso de etanol no mercado indiano.
- Defesa e Aeroespacial: Estão em pauta acordos de cooperação técnica envolvendo a Embraer e empresas indianas, visando o fornecimento de aeronaves e o desenvolvimento conjunto de tecnologias de defesa.
Desafios e Oportunidades no Brics+
A visita também serve para alinhar o discurso dentro do Brics+. Com a recente expansão do bloco, Lula e Modi buscam assegurar que a influência de Brasil e Índia permaneça forte frente ao peso econômico da China.
”A relação entre Brasil e Índia é o pilar de uma nova geografia comercial. Não estamos falando apenas de vender soja e comprar químicos, mas de integrar cadeias de valor em tecnologia e energia limpa”, afirma um diplomata brasileiro envolvido nas negociações.
A comitiva brasileira inclui diversos ministros e uma robusta delegação de empresários, sinalizando que o governo vê na Índia o parceiro ideal para diversificar as exportações brasileiras e atrair investimentos em infraestrutura.

































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