Ministério Público abre inquérito contra gestão Nunes por caos e superlotação na Consolação
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou, nesta segunda-feira (9), um inquérito para investigar a responsabilidade da Prefeitura de São Paulo no tumulto ocorrido durante o último fim de semana de pré-Carnaval. O foco da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo é a autorização concedida pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para que dois megablocos — o bloco da Skol (com o DJ internacional Calvin Harris) e o tradicional Acadêmicos do Baixo Augusta — desfilassem no mesmo dia e local, o que resultou em cenas de pânico e superlotação na Rua da Consolação.
O que aconteceu no “domingo de caos”
O planejamento da Prefeitura previa que os blocos saíssem em horários distintos, mas atrasos na programação e o volume massivo de público provocaram um encontro crítico de multidões. Segundo relatos de foliões e registros em redes sociais, o cenário foi de:
- Pessoas prensadas: Foliões foram empurrados contra grades de contenção; alguns precisaram pular muros de prédios e da Escola Paulista de Magistratura para escapar do esmagamento.
- Atendimentos médicos: O Corpo de Bombeiros confirmou o atendimento de pelo menos 30 pessoas no local com crises de ansiedade, desmaios e ferimentos leves.
- Interrupção de shows: O cantor Nattan, que se apresentava no trio da Skol, chegou a interromper a música três vezes para pedir socorro a pessoas que passavam mal na multidão.
A resposta da Prefeitura: “Sucesso” sob críticas
Mesmo diante das imagens de confusão, o prefeito Ricardo Nunes classificou a organização do evento como um “sucesso”. Em declarações dadas nesta segunda-feira, Nunes afirmou que a infraestrutura foi “perfeita” e justificou que, dada a proporção de milhões de pessoas nas ruas, o número de incidentes graves foi baixo.
”Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso”, declarou o prefeito à imprensa.
A fala gerou forte reação de opositores e especialistas em urbanismo. O governador Tarcísio de Freitas, embora tenha elogiado a rapidez da PM, ponderou que “não dá para ter 1,5 milhão de pessoas na Consolação”, indicando a necessidade de rever o limite de público para a via.
O foco da investigação
O MP-SP quer apurar se a Prefeitura ignorou alertas prévios sobre os riscos de segurança. Informações de bastidores indicam que órgãos de segurança já haviam questionado a viabilidade de colocar dois dos maiores blocos da cidade no mesmo corredor viário em um intervalo tão curto. A investigação vai analisar:
- Falhas no planejamento urbano e na concessão de alvarás.
- Protocolos de segurança e a eficácia do plano de contingência acionado tardiamente.
- Responsabilidade dos patrocinadores e organizadores dos eventos privados no espaço público.

































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