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Navalny foi morto por veneno de rã amazônica, afirmam potências europeias

Navalny foi morto por veneno de rã amazônica, afirmam potências europeias

REDAÇÃO – Em uma reviravolta que traz novos contornos à morte de Alexei Navalny, o principal opositor do Kremlin, uma investigação conjunta liderada por cinco países europeus concluiu que ele foi assassinado com uma toxina rara encontrada em rãs da América do Sul. O anúncio foi feito neste sábado (14), véspera do segundo aniversário da morte do ativista, ocorrida em fevereiro de 2024 em uma colônia penal no Ártico.

​De acordo com o comunicado emitido pelos governos do Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Holanda, análises laboratoriais em amostras coletadas do corpo de Navalny confirmaram a presença de epibatidina. Trata-se de uma substância extremamente letal — estimada em ser 200 vezes mais potente que a morfina — extraída da pele de anfíbios conhecidos como rãs-flecha, nativos da região amazônica e de outros países sul-americanos, como o Equador.

​O “fato demonstrado cientificamente”

​A investigação afirma categoricamente que a substância não ocorre de forma natural na Rússia, o que descarta qualquer possibilidade de exposição acidental no ambiente hostil da prisão siberiana “Lobo Polar”. “Apenas o Estado russo tinha os meios, o motivo e a oportunidade de utilizar esta toxina letal para atacar Navalny durante seu encarceramento”, sustenta o bloco europeu.

​A ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, classificou o caso como um “bárbaro complô do Kremlin para silenciar” a oposição. A viúva do ativista, Yulia Navalnaya, que esteve presente na Conferência de Segurança de Munique durante o anúncio, reforçou que as provas agora são incontestáveis: “Sempre soube que meu marido havia sido envenenado, mas agora há a prova científica: Putin matou Alexei com uma arma biológica”.

​Histórico de perseguição

​Navalny já havia sobrevivido a um ataque químico anterior. Em 2020, ele foi envenenado com o agente nervoso Novichok, de fabricação soviética, plantado em sua roupa íntima. Na época, após meses de tratamento na Alemanha, ele optou por retornar à Rússia, onde foi imediatamente detido.

​A descoberta da epibatidina sugere que o Kremlin pode ter diversificado seu arsenal de substâncias tóxicas para evitar a detecção imediata por agentes químicos tradicionais já conhecidos pelo Ocidente.

​Reação de Moscou

​Como esperado, o governo de Vladimir Putin refuta todas as acusações. A diplomacia russa classificou as conclusões europeias como “necropropaganda” e um “ultraje aos mortos”, mantendo a versão oficial de que Navalny faleceu de causas naturais decorrentes de um mal-estar súbito após uma caminhada.

​Com a divulgação desses novos dados, os países europeus informaram que já acionaram a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), denunciando a Rússia por mais uma violação dos tratados internacionais sobre armas biológicas e tóxicas.

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