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O FENÔMENO de Zezé na Ásia: como o clássico de José Mauro de Vasconcelos conquistou a Coreia e a China

O FENÔMENO de Zezé na Ásia: como o clássico de José Mauro de Vasconcelos conquistou a Coreia e a China

​A história do pequeno Zezé, um menino de cinco anos que vive em meio à pobreza e à falta de afeto no subúrbio carioca, atravessou fronteiras geográficas e temporais para se tornar um dos maiores fenômenos literários do outro lado do globo. Escrita em 1968 por José Mauro de Vasconcelos, a obra O Meu Pé de Laranja Lima não é apenas um clássico brasileiro; hoje, é um pilar cultural em países como a Coreia do Sul e a China, onde continua a bater recordes de vendas e a influenciar novas gerações.

​O segredo do sucesso: Universalidade da dor e do afeto

​O que explica um livro ambientado no Brasil da década de 1920 ressoar tanto em sociedades asiáticas modernas? Especialistas apontam que a conexão vai além da barreira linguística. Na Coreia do Sul, o livro é uma leitura obrigatória informal e já foi citado em diversos “doramas” (séries coreanas) de sucesso, como Hometown Cha-Cha-Cha, e serviu de inspiração para músicas de ídolos do K-pop, como a cantora IU.

​A narrativa toca em um ponto sensível dessas culturas: a pressão educacional e o rigor familiar. Na China, onde a obra alcançou recentemente a marca de 400 mil exemplares vendidos em uma nova edição, o livro é utilizado por pais e educadores para refletir sobre a importância da ternura no desenvolvimento infantil. O personagem “Portuga”, que oferece a Zezé o amor que ele não recebe em casa, tornou-se um arquétipo de “pai ideal” para os leitores chineses.

​Últimas novidades: O renascimento em 2024 e 2025

​O fenômeno está longe de ser algo do passado. Em junho de 2024, O Meu Pé de Laranja Lima ganhou sua quinta edição na China, com tiragens que esgotam rapidamente. O livro figura constantemente na lista dos 100 títulos que mais influenciam professores chineses, sendo visto como uma ferramenta de humanização em um sistema educacional altamente competitivo.

​Já na Coreia do Sul, a obra permanece viva através de adaptações constantes, incluindo versões em quadrinhos (manhwas) e referências em conteúdos digitais que viralizam no TikTok e Instagram, apresentando Zezé para a Geração Z.

​Um autor “subestimado” que conquistou o mundo

​Enquanto no Brasil José Mauro de Vasconcelos por vezes enfrentou o estigma de ser um autor “popular demais” ou “sentimental”, no exterior ele é celebrado como um mestre da condição humana. Traduzido para 52 línguas, seu relato autobiográfico prova que a busca por um “pé de laranja lima” — um refúgio na imaginação e no afeto — é uma necessidade universal, seja no Rio de Janeiro de 1968 ou na Pequim de 2025.

​A trajetória de Zezé ensina que, independentemente da distância, a história de uma criança que descobre a dor e a amizade é capaz de fazer o mundo inteiro chorar e, acima de tudo, aprender a importância da ternura.

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