Operação da Polícia Civil do Amazonas desarticula braço político e financeiro do Comando Vermelho com infiltração nos três poderes
Uma megaoperação da Polícia Civil do Amazonas, deflagrada nesta sexta-feira (20), revelou um esquema sofisticado de infiltração da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em órgãos estratégicos do Estado. Batizada de Operação Erga Omnes, a ação visa desestruturar o chamado “núcleo político” da organização, que teria movimentado cerca de R$ 70 milhões nos últimos quatro anos através de empresas de fachada e tráfico internacional.
A investigação aponta que o grupo criminoso não atuava apenas no tráfico de drogas, mas possuía ramificações diretas no Executivo, Legislativo e Judiciário amazonense. Ao todo, a Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, cumpridos em Manaus e em outros seis estados (Pará, Maranhão, Minas Gerais, Ceará, Piauí e São Paulo).
Servidores e ex-assessores entre os alvos
Entre os principais nomes citados na investigação e alvos de prisão, destacam-se figuras que ocupavam cargos de confiança:
- Anabela Cardoso Freitas: Investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida, ela é suspeita de movimentar R$ 1,5 milhão para a facção.
- Izaldir Moreno Barros: Servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
- Adriana Almeida Lima: Ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
- Osimar Vieira Nascimento: Policial Militar.
- Josafá de Figueiredo Silva: Ex-assessor parlamentar.
O “Modus Operandi” do núcleo político
Segundo a polícia, a facção utilizava empresas de logística e transporte para facilitar o envio de entorpecentes vindos da Colômbia. O dinheiro era lavado por meio de empresas de fachada e movimentações bancárias suspeitas.
Um dos pontos mais alarmantes da investigação é a suspeita de violação de sigilo funcional. O grupo utilizava seus contatos dentro das instituições públicas para obter informações privilegiadas sobre operações policiais e processos judiciais, permitindo que líderes do Comando Vermelho antecipassem ações do Estado e evitassem prisões.
Impacto e desdobramentos
Até o momento, 14 pessoas foram presas. O suposto líder da organização conseguiu fugir de um cerco em São Paulo horas antes do início da operação, mas sua esposa foi detida. A Polícia Civil informou que o esquema era extremamente organizado, com divisão de tarefas clara entre os núcleos operacional, financeiro e político.
A Prefeitura de Manaus e a Polícia Militar do Amazonas emitiram notas afirmando que não compactuam com desvios de conduta e que os servidores investigados responderão individualmente por seus atos. O caso segue sob segredo de justiça para o aprofundamento das investigações sobre outros possíveis envolvidos na estrutura de poder local.

































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