Pesquisa revela que 73% dos brasileiros apoiam fim da escala 6×1 sob condição de manutenção salarial
BRASÍLIA – O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganhou um novo e contundente capítulo nesta semana. Uma pesquisa inédita realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgada em fevereiro de 2026, aponta que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, modelo em que o funcionário trabalha seis dias e folga apenas um.
O levantamento, que ouviu 2.021 pessoas em todo o país, destaca que o apoio popular está intrinsecamente ligado à questão financeira: o índice de aprovação cai drasticamente para apenas 28% caso a mudança implique em redução de salários.
Avanço no Congresso e a “janela de maio”
A movimentação popular, impulsionada pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), ecoou rapidamente nos corredores do poder. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou o debate como “inadiável” e sinalizou uma data importante para o desfecho da proposta.
Motta afirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) deve ser votada no plenário da Câmara até maio de 2026. Atualmente, o texto de Erika Hilton foi apensado a uma proposta mais antiga do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) para acelerar a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Polarização e posicionamento do Governo
O governo federal, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, já unificou seu discurso em defesa da medida, tratando-a como uma prioridade legislativa para este semestre.
- Apoio por perfil: A pesquisa Nexus mostrou que 71% dos eleitores de Lula apoiam o fim da escala, enquanto entre os eleitores de Jair Bolsonaro, o apoio é de 53%.
- Argumento Econômico: O ministro e ex-candidato Guilherme Boulos tem defendido que a redução da jornada pode, inclusive, aumentar a produtividade, citando exemplos internacionais e o impacto positivo na saúde mental e qualificação dos trabalhadores.
Resistência do setor produtivo
Do outro lado, entidades patronais como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Fecomércio alertam para os riscos. O principal argumento das empresas é o aumento dos custos trabalhistas, especialmente para micro e pequenas empresas, que compõem a maioria do setor de serviços — o mais afetado pela escala 6×1. Especialistas ouvidos pelo mercado sugerem que, sem uma transição cuidadosa, a medida poderia gerar repasse de preços ao consumidor ou redução na oferta de serviços.
O que propõe a PEC principal:
- Redução da jornada: Limite de 36 horas semanais (atualmente são 44h).
- Nova escala: Modelo de 4 dias de trabalho por 3 de descanso (escala 4×3) ou similares.
- Garantia salarial: Proibição constitucional de reduzir o salário em função da nova jornada.
Com o apoio massivo da população e a pressão das redes sociais, o Congresso entra agora em uma fase de negociações intensas para definir se o “fim da 6×1” será implementado de forma imediata ou gradual, através de uma regra de transição que acalme os setores produtivos.

































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