PF INVESTIGA elo entre servidor alvo de operação e ex-chefe da inteligência da Receita de Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) intensificou as investigações para esclarecer uma possível conexão entre servidores da Receita Federal, recentemente alvos de busca e apreensão, e Ricardo Pereira Feitosa, que chefiou a inteligência do órgão durante a gestão de Jair Bolsonaro. O foco dos investigadores é determinar se a rede de acessos indevidos a dados sigilosos de autoridades, identificada nos últimos dias, possui raízes em estruturas de espionagem montadas em governos anteriores.
Suspeita de rede organizada de dados
A linha de investigação apura se um dos servidores afastados por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mantinha contato ou compartilhava o modus operandi de Feitosa. O ex-chefe da inteligência foi demitido em 2023 após a comprovação de que acessou ilegalmente dados fiscais de desafetos do ex-presidente, como o empresário Paulo Marinho e o ex-ministro Gustavo Bebianno.
De acordo com fontes ligadas ao inquérito, a PF quer saber se os novos vazamentos — que miram o próprio ministro Moraes, seus familiares e o ministro Gilmar Mendes — fazem parte de um esforço coordenado para intimidar magistrados ou alimentar narrativas políticas de oposição.
Pressão sobre associações de classe
O cerco também se fechou contra representantes da categoria. Kléber Cabral, presidente da Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais), foi intimado a prestar depoimento à PF nesta sexta-feira (20).
- O motivo: Cabral fez críticas públicas à operação, classificando as medidas cautelares contra os auditores como “assustadoras” e sugerindo que a Receita Federal estaria sendo usada como “bode expiatório”.
- O interrogatório: Além das declarações, os investigadores devem questioná-lo sobre o conhecimento de possíveis grupos internos que ainda operariam sob influência política.
Próximos passos
A perícia nos celulares e computadores apreendidos na última semana será crucial. A PF busca mensagens ou registros de transferências de arquivos que possam ligar os atuais investigados diretamente a Feitosa ou a integrantes da chamada “Abin Paralela”. Caso a conexão seja confirmada, o caso pode elevar a gravidade das acusações de organização criminosa e violação de sigilo funcional.

































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