Polícia indicia sócios da academia C4 Gym por morte de professora após intoxicação em piscina
A Polícia Civil de São Paulo indiciou formalmente, na noite desta quarta-feira (11), os três sócios da academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, zona leste da capital. Os empresários responderão por homicídio com dolo eventual após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, ocorrida no último sábado (7), por inalação de gases tóxicos gerados por produtos químicos na piscina do estabelecimento.
De acordo com o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial, além do indiciamento, foi solicitada à Justiça a prisão preventiva dos proprietários. A investigação aponta que os donos assumiram o risco do resultado fatal ao negligenciar normas de segurança e utilizar mão de obra desqualificada para o manejo de substâncias químicas.
Detalhes do caso e novas vítimas
O número de vítimas confirmadas subiu para sete. Entre os atingidos estão o marido de Juliana, Vinícius de Oliveira, que permanece internado em estado grave na UTI com insuficiência respiratória, e uma criança de apenas cinco anos, que também apresentou sintomas de intoxicação após uma aula de natação.
Imagens de câmeras de segurança revelaram um cenário alarmante: no momento do incidente, um funcionário — que trabalhava como manobrista e não possuía habilitação técnica — preparava uma mistura química próximo à borda da piscina. Ao perceber a reação e a liberação de vapores, o homem chegou a cobrir o rosto com um pano para evitar a inalação, enquanto os alunos continuavam na água.
Irregularidades e “ganância”
A investigação revelou uma série de negligências administrativas e técnicas:
- Falta de alvará: A academia não possuía licença de funcionamento da prefeitura nem autorização específica para a piscina.
- Mão de obra improvisada: O funcionário responsável pela limpeza declarou em depoimento que recebia instruções de um dos sócios via WhatsApp sobre as quantidades de produto, sem nunca ter recebido treinamento ou equipamentos de proteção (EPIs).
- Ambiente inadequado: O local da piscina era fechado e não possuía a ventilação necessária para dispersar gases químicos.
- Confusão societária: A polícia identificou dois CNPJs vinculados ao endereço, o que o delegado classificou como uma “situação nebulosa”.
Em seu despacho, o delegado afirmou que a decisão de dispensar profissionais habilitados foi motivada por “egoísmo e ganância”, visando exclusivamente a redução de custos operacionais.
Defesa e posicionamento
Em nota, a defesa dos sócios da C4 Gym afirmou que os empresários estão colaborando com as investigações e que ingressaram com medidas judiciais para tentar evitar a decretação das prisões. A academia foi interditada preventivamente pela Subprefeitura de Vila Prudente e o Ministério Público agora investiga se outras unidades da mesma rede apresentam irregularidades semelhantes.
O caso segue sob análise da Justiça, que deve decidir nos próximos dias sobre os pedidos de prisão e a continuidade do processo por homicídio.

































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