Sérgio Moro lidera pesquisas e impõe impasse a Ricardo Barros na disputa pelo Governo do Paraná
CURITIBA – O cenário político paranaense para 2026 registra uma temperatura elevada nos bastidores, com o senador Sérgio Moro (União Brasil) consolidando sua posição como favorito nas pesquisas de intenção de voto, enquanto trava um braço de ferro com o deputado federal Ricardo Barros (PP). A principal queda de braço gira em torno do controle da Federação Progressista (formada por União Brasil e PP), onde Moro busca viabilizar sua candidatura ao Palácio Iguaçu, atropelando as pretensões de Barros de lançar sua esposa, a ex-governadora Cida Borghetti, ao cargo.
De acordo com os levantamentos mais recentes do instituto Paraná Pesquisas, divulgados entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2026, Sérgio Moro aparece com ampla vantagem em todos os cenários simulados, atingindo marcas superiores a 40% das intenções de voto. Em embates diretos no segundo turno, o ex-juiz da Lava Jato chega a ultrapassar os 50%, superando nomes como Alvaro Dias e Requião Filho.
O “tapete” e a resistência de Ricardo Barros
Apesar do desempenho nas ruas, Moro enfrenta uma barreira institucional. Ricardo Barros, cacique do Progressistas e atual secretário de Indústria, Comércio e Serviços do Paraná, tem articulado uma resistência ferrenha dentro da federação. Informações de bastidores indicam que o grupo de Barros tenta “puxar o tapete” de Moro, utilizando o veto do diretório estadual do PP como principal obstáculo jurídico para o registro da candidatura na chapa unificada.
A estratégia de Barros visa garantir espaço para Cida Borghetti, que já governou o estado e é vista pelo PP como a representante natural do partido. Recentemente, Barros subiu o tom das críticas, afirmando que Moro “não atrai pessoas” e sugerindo que o senador deveria buscar outra legenda caso não consiga converter os aliados do Progressistas.
Negociações travadas e o fator Alep
Fontes ligadas ao Palácio Iguaçu e à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) revelam que houve tentativas de diálogo sobre a distribuição de espaços em um eventual governo Moro. Estariam na mesa de negociações:
- Cargos de primeiro escalão: Secretarias estratégicas para o grupo de Barros.
- Tribunal de Contas (TC-PR): Indicações para futuras vagas de conselheiro.
- Comando da Alep: O controle da Presidência e da Primeira Secretaria da Assembleia.
Entretanto, até o momento, as conversas não fluíram. Moro tem demonstrado intransigência em ceder o protagonismo da chapa, apoiado pela cúpula nacional do União Brasil, que considera sua candidatura irreversível e estratégica para o partido.
Cenário de incerteza jurídica
A crise na Federação Progressista no Paraná reflete um dilema nacional. Enquanto o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, insiste na candidatura de Moro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, declarou que respeitará a decisão do diretório estadual comandado por Barros.
Se o impasse persistir, Moro poderá ser forçado a uma decisão drástica: manter a queda de braço jurídica para garantir a legenda pela federação ou migrar para outro partido para assegurar sua presença na urna. Enquanto isso, Ricardo Barros segue tentando pavimentar o caminho para Cida Borghetti, apostando que a máquina partidária prevalecerá sobre a popularidade das pesquisas.

































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