TRUMP E DELCY Rodríguez: O novo e inusitado eixo Caracas-Washington
Desde a operação relâmpago dos Estados Unidos, que capturou o líder Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores em 3 de janeiro de 2026, a Venezuela vive uma metamorfose política sob o comando de Delcy Rodríguez. A atual presidente em exercício, que herdou o poder em meio ao caos da intervenção, equilibra-se agora em uma corda bamba entre a lealdade ao chavismo e a rendição prática às exigências de Donald Trump.
Embora Rodríguez mantenha o discurso público de que Maduro e Flores são “vítimas de um sequestro” e “prisioneiros de guerra”, os bastidores mostram uma realidade de cooperação forçada. Donald Trump, que recentemente classificou a relação com o novo governo interino como “nota 10” e “extraordinária”, já autorizou petroleiras americanas a retomarem operações no país sob controle direto de Washington.
As concessões de Delcy
Pressionada pela ameaça direta de Trump — que sugeriu que ela poderia ter o mesmo destino de Maduro caso não colaborasse — Rodríguez vem implementando mudanças drásticas que rompem com décadas de política chavista:
- Extinção de programas: Recentemente, ela extinguiu diversos programas sociais (missões) criados por Hugo Chávez e Nicolás Maduro, sob a justificativa de reestruturação.
- Abertura econômica: O governo interino abriu o setor de petróleo ao capital estrangeiro, com o Tesouro dos EUA emitindo licenças para exploração de gás e óleo.
- Anistia Geral: Em um aceno à comunidade internacional, a Venezuela iniciou a libertação de centenas de presos políticos e avança na aprovação de uma lei de anistia geral.
O destino de Maduro
Enquanto Rodríguez governa em Caracas, Nicolás Maduro e Cilia Flores aguardam julgamento no Distrito Sul de Nova York. Recentemente, a Justiça americana adiou as audiências por questões logísticas, mas ambos permanecem sob custódia respondendo por crimes de narcoterrorismo e tráfico de armas.
Apesar de Delcy Rodríguez afirmar que “já chega de ordens de Washington”, a presença física de comandantes militares dos EUA em solo venezuelano e o fluxo de petróleo controlado pelos americanos sugerem que, para sobreviver politicamente, a “presidenta” escolheu transformar a retórica anti-imperialista em um verniz para uma transição tutelada pela Casa Branca.

































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