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Vulnerabilidade reduz altura média de crianças indígenas e nordestinas, revela Fiocruz

Vulnerabilidade reduz altura média de crianças indígenas e nordestinas, revela Fiocruz

RIO DE JANEIRO – Um estudo inédito realizado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) acende um alerta sobre as desigualdades no desenvolvimento infantil no Brasil. A pesquisa, publicada recentemente na prestigiada revista JAMA Network e repercutida nesta quinta-feira (19) pela Agência Brasil, aponta que a vulnerabilidade socioeconômica está impactando diretamente a estatura física de crianças indígenas e residentes nas regiões Norte e Nordeste.

​De acordo com os dados coletados de 6 milhões de crianças brasileiras acompanhadas longitudinalmente, os pesquisadores identificaram que, até os 9 anos de idade, crianças em situação de maior fragilidade social apresentam uma altura média inferior aos padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O déficit de crescimento é atribuído a uma combinação de fatores: alimentação inadequada, falta de acesso a saneamento básico, alta incidência de doenças infecciosas e baixo nível socioeconômico das famílias.

O paradoxo da malnutrição

Embora a baixa estatura seja um indicador clássico de subnutrição crônica no passado, o cenário atual apresenta uma nova complexidade. O estudo destaca a “dupla carga de malnutrição”: enquanto crianças das regiões Norte e Nordeste (especialmente as indígenas) lutam para atingir o crescimento linear esperado, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste registram altos índices de excesso de peso.

​Os dados regionais de sobrepeso e obesidade revelam um contraste geográfico:

  • Sul: 32,6% de sobrepeso e 14,4% de obesidade (os maiores índices do país).
  • Sudeste: 26,6% de sobrepeso e 11,7% de obesidade.
  • Norte: 20% de sobrepeso e 7,3% de obesidade.

Diferença por etnia

A desigualdade é ainda mais profunda quando o recorte é etnorraciais. O pesquisador Gustavo Velasquez, líder do estudo, reforça que crianças indígenas enfrentam as maiores dificuldades para manter o crescimento linear adequado. Dados complementares indicam que, aos 9 anos, a altura média esperada para meninos varia entre 124 cm e 136 cm, enquanto para meninas a faixa ideal é de 123 cm a 135 cm. No entanto, em territórios vulneráveis e aldeias com pouco assistência, esses números frequentemente não são alcançados.

Impacto do racismo estrutural

Especialistas da Fiocruz associam esses resultados ao racismo estrutural, que limita o acesso de mães indígenas e negras a serviços de saúde de qualidade e segurança alimentar desde a gestação. A baixa estatura na infância não é apenas uma questão estética; ela é um marcador biológico de privações que podem resultar em problemas de saúde crônicos na vida adulta, como maior propensão a doenças cardiovasculares e menor produtividade econômica.

​O estudo serve como um subsídio crucial para a formulação de políticas públicas, indicando que o combate à desigualdade no Brasil precisa de estratégias regionalizadas que considerem não apenas a oferta de calorias, mas a qualidade do ambiente em que a criança cresce.

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