ZUCKERBERG defende uso de filtros no Instagram em tribunal sob acusação de danos à saúde mental de jovens
LOS ANGELES – Em um depoimento histórico prestado nesta semana perante o Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, defendeu as escolhas de design do Instagram, incluindo o polêmico uso de filtros de aparência. O executivo enfrentou um júri popular no que está sendo considerado o primeiro grande julgamento nos Estados Unidos a investigar se as redes sociais foram projetadas deliberadamente para viciar e prejudicar a saúde mental de crianças e adolescentes.
A ação central, movida por uma jovem de 20 anos identificada como Kaley G.M., acusa a Meta e o Google de criarem ferramentas “viciantes” que agravaram seus transtornos psicológicos. Zuckerberg, por sua vez, manteve a postura de que a ciência ainda não provou de forma conclusiva a relação direta entre o uso de redes sociais e danos à saúde mental, alegando que sua prioridade foi garantir a “livre expressão” dos usuários.
O embate sobre os filtros de “cirurgia plástica”
Um dos pontos mais críticos do interrogatório envolveu documentos internos da Meta que vieram a público em processos recentes. Estes arquivos sugerem que funcionários e especialistas da própria empresa alertaram Zuckerberg sobre o impacto negativo dos filtros que simulam cirurgias plásticas e alteram feições físicas, especialmente entre adolescentes com dismorfia corporal.
Ao ser questionado sobre o motivo de ter mantido esses recursos apesar dos alertas, Zuckerberg afirmou ter uma “barra alta” (critério rigoroso) para restringir ferramentas que permitam a expressão criativa dos usuários. Ele argumentou que filtros são formas de arte e comunicação, minimizando a ideia de que seriam projetados para causar compulsão ou insegurança.
Estratégia de defesa e contexto global
A defesa da Meta sustenta que os problemas de saúde mental da autora derivam de uma “infância conturbada” e fatores externos, e não da plataforma. Zuckerberg também reiterou que a empresa tomou medidas recentes, como:
- Restrições de idade: Implementação de contas “PG-13” para menores.
- Apoio parental: Novos recursos de supervisão para pais.
- Fim da métrica de tempo: O CEO alegou que a Meta não foca mais em maximizar o tempo de tela, mas sim na “utilidade” do serviço.
Repercussão e futuro das Big Techs
O desfecho deste julgamento em Los Angeles é monitorado globalmente, pois serve como um “caso-teste” para centenas de outras ações semelhantes. Recentemente, países como a Austrália e estados como a Flórida (EUA) já aprovaram leis rigorosas proibindo ou restringindo o acesso de menores de 16 anos às redes sociais.
Se a Meta for considerada culpada, a empresa poderá enfrentar indenizações bilionárias e ser forçada a realizar mudanças estruturais profundas no funcionamento do Instagram e do Facebook, alterando definitivamente a experiência digital para a nova geração.

































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