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Crise hídrica em Ponta Grossa: moradores denunciam água alaranjada enquanto Sanepar justifica problemas por rompimento e algas

Crise hídrica em Ponta Grossa: moradores denunciam água alaranjada enquanto Sanepar justifica problemas por rompimento e algas

Moradores de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, enfrentam uma nova etapa na crise do abastecimento de água. Após dois meses convivendo com um odor e gosto persistentes nas torneiras, a população registrou, nesta quinta (5) e sexta-feira (6), água com coloração alaranjada e marrom em diversas regiões, incluindo a Vila Coronel Cláudio e o Distrito Industrial.

​O agravamento da situação e o “efeito visual”

​O que antes era um problema sensorial (gosto e cheiro) tornou-se visível. Relatos de moradores à imprensa local e vídeos compartilhados em redes sociais mostram baldes e banheiras cheios de um líquido escuro. A nutricionista Carla Stoekly relatou atrasos em sua rotina profissional devido à impossibilidade de utilizar o chuveiro diante da sujeira da água.

​As explicações da Sanepar

​Em nota oficial emitida nesta sexta-feira, a Sanepar atribuiu a coloração escura a um rompimento de rede ocorrido na quinta-feira (5), causado por erosão e deslocamento de solo. De acordo com a companhia:

  • ​O conserto emergencial já foi concluído.
  • ​Foram realizadas descargas na rede para limpeza da tubulação.
  • ​Moradores afetados podem solicitar a higienização gratuita de caixas-d’água e tubulações pelo telefone 0800 200 0115.

​O problema crônico: Algas e o reservatório Alagados

​Embora a cor atual esteja ligada ao rompimento, o gosto e o cheiro ruins que assolam a cidade desde janeiro têm outra origem. Em comunicado conjunto com o IDR-Paraná, IAT, Adapar e Simepar, a Sanepar explicou que a forte proliferação de algas no reservatório Alagados é a causa principal.

​O baixo volume de chuvas na bacia do rio Pitangui e as altas temperaturas favoreceram o crescimento desses organismos. O Diretor-presidente da companhia, Wilson Bley, afirmou que a água permanece “absolutamente potável”, embora reconheça o desconforto sensorial dos usuários.

​Ações em curso e pressão política

​A crise já gerou desdobramentos oficiais:

  1. Investigação do MP-PR: O Ministério Público abriu inquérito para apurar a qualidade do serviço.
  2. Convocação pelo Condema: O Conselho Municipal do Meio Ambiente exigiu explicações detalhadas sobre o manejo da represa.
  3. Protestos Populares: No final de fevereiro, moradores realizaram manifestações em frente à sede da Sanepar contra o odor da água e o aumento nas faturas.
  4. Soluções Futuras: O governo estadual mencionou a contratação de uma consultoria internacional e o avanço nas obras de captação do Rio Tibagi para reduzir a dependência exclusiva do Alagados.

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