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Estudantes e entidades ocupam a Seduc contra cortes e projeto de militarização de Tarcísio de Freitas

Estudantes e entidades ocupam a Seduc contra cortes e projeto de militarização de Tarcísio de Freitas

São Paulo – A tensão entre o movimento estudantil e o Governo de São Paulo atingiu um novo ápice nesta segunda quinzena de março de 2026. Centenas de estudantes secundaristas, organizados por entidades como a UPES (União Paulista dos Estudantes Secundaristas) e movimentos como o “Rebele-se”, ocuparam a sede da Secretaria da Educação (Seduc-SP) e realizaram manifestações em cidades como Suzano e Ribeirão Preto. O foco central dos protestos é o bloqueio de verbas e a implementação de projetos polêmicos pela gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

​As mobilizações ocorrem em um momento crítico. Os estudantes denunciam o que chamam de “desmonte” da rede estadual, citando a precariedade da merenda, a falta de professores e o fechamento de turmas do período noturno. Além disso, a pauta inclui a forte rejeição à PEC 09/2023, que propõe reduzir o investimento obrigatório na educação paulista de 30% para 25% — uma medida que pode retirar cerca de R$ 9,6 bilhões do setor anualmente.

O embate sobre a “Sala do Futuro” e a Militarização

Um dos estopins recentes para a ocupação da Seduc foi a crítica ao projeto “Sala do Futuro”. Manifestantes alegam que, enquanto o governo investe em aparatos tecnológicos e inteligência artificial, as escolas sofrem com infraestrutura básica defasada e falta de materiais didáticos. “Nossa resposta aos ataques será nas ruas, lutando por uma educação pública e de qualidade, e não por migalhas tecnológicas”, afirmou Julia, uma das lideranças estudantis durante o ato.

​Somado a isso, o modelo de escolas cívico-militares de Tarcísio voltou ao centro do debate jurídico e social. No último mês, decisões liminares chegaram a barrar a presença de policiais em salas de aula e suspender regras militarizadas, sob o argumento de que o modelo possui potencial discriminatório e fere a autonomia pedagógica. Mesmo com as derrotas na Justiça, o governo mantém a consulta pública para a adesão de centenas de unidades ao modelo, o que é visto pelos estudantes como uma tentativa de cercear a liberdade de organização.

Impacto no Orçamento de 2026

Enquanto o governo estadual sancionou o orçamento de R$ 382,3 bilhões para 2026, reafirmando compromissos com a “eficiência na gestão”, as entidades de classe, como a Apeoesp e o CPP, alertam que a realidade nas salas de aula é de exclusão escolar. A tentativa de dividir escolas com mais de 1.200 alunos a partir deste ano letivo também é criticada por ser vista como uma manobra para reduzir custos operacionais em detrimento da qualidade do convívio escolar.

​Os manifestantes prometem manter o calendário de lutas ativo durante todo o mês de março, pressionando a Assembleia Legislativa (Alesp) para que a PEC da redução de verbas não avance e exigindo a recomposição imediata dos recursos destinados à manutenção das escolas estaduais.

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