Justiça e Prefeitura de Paranaguá travam batalha contra tarifas abusivas de água da concessionária
O custo do saneamento básico em Paranaguá voltou ao centro do debate público nesta semana, após um novo levantamento confirmar que a cidade mantém uma das tarifas de água mais elevadas do Brasil. De acordo com dados recentes de 2026, os moradores do município litorâneo pagam valores significativamente superiores aos de cidades vizinhas e capitais, o que tem mobilizado a Prefeitura e órgãos reguladores em uma ofensiva jurídica contra a concessionária Paranaguá Saneamento (Iguá Saneamento).
Enquanto em municípios atendidos pela Sanepar a tarifa residencial normal para um consumo de até 10 metros cúbicos gira em torno de R$ 97,10, em Paranaguá esse valor já ultrapassa a marca de R$ 130,00 — uma diferença que impacta diretamente o orçamento das famílias parnanguaras.
Vitória judicial e embate político
A situação escalou em março de 2026, quando o prefeito Adriano Ramos anunciou uma nova vitória na Justiça para impedir reajustes que a empresa tentava aplicar. “Não vamos descansar enquanto essa empresa não deixar a nossa cidade. O povo de Paranaguá merece respeito e tarifas justas”, declarou o chefe do Executivo, que já formalizou o pedido de rescisão do contrato de concessão, vigente desde 1996 e com previsão original de encerramento apenas em 2045.
A queda de braço envolve reajustes represados de anos anteriores (2021 e 2022) que, somados, chegariam a um aumento de quase 24%. A Justiça paranaense, no entanto, suspendeu a cobrança sob o argumento de que o reajuste supera a inflação do período e fere o princípio da modicidade tarifária, onerando desproporcionalmente a população.
Fiscalização e multas
A Cagepar (Agência Reguladora de Paranaguá) intensificou a fiscalização. Além das reclamações sobre o preço, a concessionária acumula multas que já somam dezenas de milhões de reais devido a falhas na prestação de serviço e questões ambientais.
Por outro lado, a Paranaguá Saneamento defende a necessidade de recomposição inflacionária para garantir investimentos e a manutenção da qualidade do sistema, alegando que custos operacionais — como produtos químicos e recomposição asfáltica — subiram acima dos índices gerais de preços.
O que esperar para os próximos meses
A divulgação do novo “Ranking do Saneamento 2026” pelo Instituto Trata Brasil, prevista para este mês de março, deve jogar ainda mais luz sobre a eficiência dos serviços em Paranaguá comparada ao custo pago pelo cidadão. Paralelamente, a prefeitura aguarda o desfecho do processo de caducidade do contrato, que pode resultar na saída definitiva da concessionária e em um novo modelo de gestão para o saneamento da cidade.
Enquanto o impasse jurídico não se resolve, a recomendação aos consumidores é que fiquem atentos ao novo modelo de fatura física que começou a circular em 2026 e que busquem os canais de atendimento caso identifiquem distorções no consumo medido.

































Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.