Lula critica omissão da ONU e ironiza plano de Trump para “resort” em Gaza
Em um discurso contundente durante a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), realizada nesta quarta-feira (4/3) em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra a governança global. O mandatário brasileiro acusou a ONU de “ceder ao fatalismo” diante dos conflitos armados e dirigiu críticas ácidas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem acusou de promover um plano de reconstrução para a Faixa de Gaza que mais parece um projeto imobiliário de luxo.
Omissão internacional e a “tirania do veto”
Lula reiterou sua frustração com a paralisia do Conselho de Segurança da ONU. Segundo o presidente, a entidade perdeu a capacidade de mediar soluções pacíficas porque os próprios membros permanentes — os países com poder de veto — são os maiores produtores de armas e estão diretamente envolvidos nos conflitos.
“Não precisaria haver fome no mundo se houvesse bom senso entre os governantes”, afirmou Lula, destacando que os US$ 2 trilhões gastos anualmente em armamentos e tecnologias de destruição poderiam erradicar a fome de 630 milhões de pessoas. Ele defendeu que o papel original da ONU, de promover a cooperação, foi substituído por uma agenda que prioriza o fortalecimento militar em detrimento da segurança alimentar.
Alfinetada em Trump: “resort sobre cadáveres”
O alvo mais direto do discurso foi o “Conselho da Paz” proposto recentemente por Donald Trump para administrar e reconstruir Gaza. Lula ironizou a estética das propostas que circulam em ambientes políticos internacionais, que sugerem a participação da iniciativa privada para criar infraestruturas modernas na região.
“Aí aparece como se fosse um resort para passar as férias no lugar onde estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram”, disparou o presidente. Lula questionou se “compensou destruir Gaza” para agora as potências aparecerem “com pompa” propondo reconstruções luxuosas sem garantir o direito de retorno e a moradia digna para a população palestina pobre que foi vitimada pelos bombardeios.
Brasil como mediador alternativo
Apesar das críticas, Lula mencionou que manteve conversas telefônicas recentes com Trump. O brasileiro condicionou a participação do Brasil em qualquer esforço de paz à inclusão de representantes palestinos na mesa de negociações, afirmando que “sem palestinos, não é comissão de paz”.
O presidente brasileiro também usou o evento para defender o fim das sanções unilaterais, citando Cuba e Haiti como exemplos de países onde decisões políticas externas agravam a fome. “A paz é a única possibilidade de fazer com que a humanidade avance”, concluiu, reforçando a tese de que o Brasil não se preparará para a guerra, mas para a diplomacia e a produção de alimentos.

































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