Lula e Juliana Brizola articulam frente de centro-esquerda para barrar avanço do PL no Rio Grande do Sul
O cenário político no Rio Grande do Sul para as eleições de 2026 começa a ganhar contornos de uma disputa polarizada e estratégica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado movimentos para consolidar uma aliança com o PDT, tendo como peça-chave a ex-deputada Juliana Brizola, neta do histórico líder trabalhista Leonel Brizola. A articulação visa criar uma barreira competitiva contra o favoritismo crescente do PL, que aposta no deputado federal Luciano Zucco como principal nome da direita ao Palácio Piratini.
A estratégia de Lula e o fator Brizola
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que o PT gaúcho, embora possua nomes fortes como o de Edegar Pretto (atual presidente da Conab), enfrenta uma barreira de rejeição histórica no estado que pode limitar o crescimento da candidatura em um eventual segundo turno. Nesse contexto, o nome de Juliana Brizola surge como uma alternativa capaz de unir o campo progressista e atrair setores do centro.
Recentes reuniões em Brasília indicam que Lula estuda dar um comando direto ao PT gaúcho para que, pela primeira vez na história, o partido abra mão da cabeça de chapa em prol de uma unidade maior. O “brisolismo” ainda é visto como uma marca de forte apelo emocional e político no Rio Grande do Sul, e o apoio de Carlos Lupi, presidente nacional do PDT e ministro da Previdência, tem sido decisivo para aproximar Juliana do presidente.
O desafio da direita e o favoritismo do PL
Do outro lado do espectro político, o Partido Liberal (PL) já consolidou Luciano Zucco como sua principal aposta. Zucco, que conta com a bênção explícita de Jair Bolsonaro, lidera ou aparece em empate técnico no topo das principais sondagens de intenção de voto realizadas entre o final de 2025 e o início de 2026. A direita gaúcha busca manter a hegemonia no estado, aproveitando-se da avaliação crítica ao governo federal na região Sul.
Além do PL, o cenário conta com a força da máquina estadual. O atual governador Eduardo Leite (PSDB), que migrou para o PSD visando o plano nacional, tenta viabilizar seu vice, Gabriel Souza (MDB), como sucessor natural. No entanto, o avanço da polarização entre o bloco de Lula e o de Bolsonaro ameaça espremer as candidaturas de centro.
Cenário eleitoral em movimento
Pesquisas recentes (como as do Instituto Quaest e Methodus) mostram um quadro ainda aberto, mas com tendências claras:
- Luciano Zucco (PL): Consolida-se como o nome a ser batido pela oposição de direita.
- Juliana Brizola (PDT): Apresenta potencial de crescimento ao herdar votos de centro-esquerda e possui menor rejeição que nomes tradicionais do PT.
- Edegar Pretto (PT): Mantém uma base fiel, mas sua viabilidade depende do desenho final da federação Brasil da Esperança e do acordo com o PDT.
A possível chapa “Lula lá e Brizola aqui”, bordão que ecoa nos bastidores do PDT, é a principal aposta para tentar quebrar a sequência de vitórias da direita no estado. O martelo deve ser batido nos próximos meses, dependendo da performance de Juliana nas articulações diretas com o comando petista e da capacidade de coesão das bases partidárias locais, que ainda oferecem resistência a abrir mão de protagonismo.

































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