OMS e cientistas alertam para nova cepa recombinante de mpox e ineficácia de antiviral
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e centros de pesquisa internacionais elevaram o estado de vigilância após a identificação de uma nova cepa recombinante do vírus da mpox (MPXV). O novo patógeno, que combina material genético dos clados Ib e IIb, foi detectado recentemente em pacientes no Reino Unido e na Índia, sugerindo uma circulação silenciosa e global que desafia os métodos de testagem convencionais.
O desafio da nova variante recombinante
Diferente das mutações isoladas, a recombinação ocorre quando dois clados distintos infectam a mesma pessoa simultaneamente, permitindo que o vírus troque partes de seu código genético.
- Identificação difícil: A OMS alertou que os testes de PCR comuns, frequentemente configurados para distinguir apenas entre os clados I e II, podem falhar ao identificar esta versão híbrida.
- Disseminação silenciosa: Embora apenas casos pontuais tenham sido confirmados em laboratório, a similaridade genética de 99,9% entre os casos da Índia e do Reino Unido indica que a cepa está mais espalhada do que os registros oficiais mostram.
Tecovirimat sob questionamento
Um dos pontos mais críticos para as autoridades de saúde é a eficácia dos tratamentos. Estudos recentes apresentados na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI 2026) e publicados por instituições como o Institut Pasteur indicam que o tecovirimat (TPOXX) — o antiviral mais utilizado contra a doença — não tem demonstrado a potência esperada.
”A eficácia do tecovirimat manifestada em ensaios clínicos recentes está longe de ser satisfatória”, aponta o relatório mais recente.
A resistência parece surgir independentemente do clado, com mutações na enzima viral F13 impedindo que o medicamento bloqueie a propagação das partículas no organismo. Isso deixa grupos de alto risco, como imunocomprometidos e gestantes, em uma situação de vulnerabilidade terapêutica.
Cenário no Brasil em 2026
O Ministério da Saúde informou que o Brasil monitora de perto a situação. Até meados de março de 2026, o país já registrou cerca de 140 casos confirmados, com a maioria concentrada no estado de São Paulo.
Embora não haja registro de mortes em território nacional este ano, a recomendação permanece de isolamento imediato para casos suspeitos e o fortalecimento do sequenciamento genômico para detectar a chegada da nova cepa recombinante ao país.
Como se prevenir:
- Evitar contato íntimo com pessoas que apresentem lesões cutâneas.
- Não compartilhar objetos de uso pessoal (toalhas, lençóis, talheres).
- Manter a vacinação em dia para grupos prioritários indicados pelo SUS.

































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