DUBAI E WASHINGTON — A trégua recém-estabelecida no Oriente Médio sofreu um duro golpe nas últimas horas, com uma violenta retomada de hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã. O recrudescimento dos combates e a troca de acusações mútuas ameaçam colapsar em definitivo os esforços diplomáticos e escalar o conflito para proporções inéditas na região.
A nova crise eclodiu apenas uma semana após uma rodada de negociações de alto nível mediada na Suíça, liderada pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf. Na ocasião, Washington havia concordado em suspender sanções contra Teerã em troca do cessar-fogo, mas o pacto provisório ruiu rapidamente com o reinício e a intensificação dos bombardeios de lado a lado.
Ataques a bases e bloqueio econômico
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) declarou publicamente que suas forças navais e aéreas realizaram operações coordenadas com mísseis e drones contra instalações militares dos EUA situadas no Kuwait e no Bahrein. Segundo a emissora estatal Press TV, o comando da IRGC justificou a ação alegando que ataques prévios dos EUA violaram o cessar-fogo estabelecido. O grupo militar advertiu que os canais diplomáticos estão totalmente interrompidos e que as bases americanas na região “viverão um inferno nos próximos dias”.
Em resposta imediata, as defesas aéreas do Kuwait interceptaram dois mísseis balísticos iranianos. No Bahrein, sirenes de alerta soaram por duas vezes, e as autoridades locais confirmaram que um dos projéteis atingiu e danificou um edifício residencial na província de Muharraq, embora não tenham sido registradas vítimas. O governo do Bahrein acionou formalmente o Conselho de Segurança da ONU, exigindo uma sessão de emergência para responsabilizar Teerã.
Fontes de defesa dos Estados Unidos confirmaram os ataques contra suas instalações, mas reiteraram que, até o momento, não há relatos de baixas americanas ou danos estruturais de grande magnitude. No plano de fundo regional, Israel e o grupo Hezbollah mantêm confrontos intensos no sul do Líbano, complicando ainda mais o xadrez geopolítico.
Impacto global no mercado de energia
Para além do impacto militar, a escalada do conflito provocou o fechamento quase total do Estreito de Hormuz pelo regime iraniano. A restrição geográfica na rota de apenas 34 quilômetros de largura impede que cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto e 5 milhões de barris de derivados cheguem diariamente ao mercado internacional.
Em relatório mensal, a Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a crise atual no Oriente Médio está gerando a maior interrupção no fornecimento da história do mercado global de petróleo, gerando temores generalizados de uma disparada inflacionária global na energia.
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