Teerã e Washington — A frágil tentativa de estabilização na região sofreu um duro golpe. Neste domingo (28), o Irã e os Estados Unidos voltaram a trocar ameaças diretas e realizar ações militares terrestres e aéreas, colocando em risco o recém-discutido acordo de paz entre as duas nações.
O estopim para a nova escalada ocorreu após o presidente americano, Donald Trump, subir o tom nas redes sociais e declarar publicamente que o governo norte-americano está pronto para “completar o trabalho militar iniciado” caso o regime de Teerã não cumpra integralmente os termos estabelecidos pelas negociações internacionais. Em tom ainda mais ríspido, Trump emitiu um alerta afirmando que o “Irã deixará de existir se continuar os ataques”.
A escalada dos ataques e a resposta militar
Nas últimas horas, o cenário de cooperação deu lugar a uma nova rodada de agressões mútuas que já dura quatro dias:
- Ataques iranianos: Teerã confirmou o disparo de mísseis balísticos e drones direcionados a posições estratégicas no Oriente Médio, incluindo a Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, e o quartel-general da Quinta Frota dos EUA, em Bahrein. O comando iraniano justificou as ações como uma retaliação direta.
- Ofensiva aliada: Em resposta às ameaças à navegação no Estreito de Ormuz — onde um navio comercial foi atingido recentemente — e às bases aliadas, as forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM), apoiadas por uma intensa campanha da Força Aérea de Israel, bombardearam depósitos de mísseis, infraestruturas de radar costeiras e bases de drones dentro do território iraniano.
Acordo por um fio
Mediadoreis internacionais correm contra o tempo para tentar salvar as negociações. O grande impasse gira em torno das taxas de trânsito exigidas pelo Irã no Estreito de Ormuz e das exigências geopolíticas que envolvem a retirada de tropas da fronteira com o Líbano. Enquanto Washington e seus aliados exigem o cumprimento irrestrito do cessar-fogo e a livre circulação marítima, o regime de Teerã acusa os norte-americanos de adotarem uma postura excessivamente agressiva que inviabiliza o tratado.
Até o momento, órgãos internacionais alertam que a continuidade dos bombardeios poderá arrastar a região para um conflito de proporções ainda maiores, anulando os esforços diplomáticos construídos ao longo do último mês.
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