Campanha no Japão pede que homens repitam em casa a limpeza feita nos estádios

​A imagem de torcedores japoneses recolhendo o lixo nas arquibancadas após as partidas da Copa do Mundo correu o mundo como um exemplo de civilidade e educação. No entanto, o que foi aplaudido internacionalmente gerou um debate profundo dentro do próprio Japão, acendendo os refletores sobre as disparidades de gênero no país asiático.

​Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que o Japão ainda patina severamente nos índices de igualdade de gênero. A desigualdade fica evidente na divisão do trabalho doméstico: as mulheres japonesas gastam, em média, cinco vezes e meia mais tempo do que os homens em tarefas de casa e cuidados com a família.

​Diante desse cenário, um grupo de mulheres e ativistas lançou uma campanha direta e bem-humorada, mas com um forte apelo político: “por favor, façam o mesmo em casa”. A iniciativa cobra que o civismo demonstrado pelos homens nos estádios de futebol seja aplicado na rotina diária do lar, dividindo de forma justa o peso do trabalho doméstico invisível.

​A cobrança expõe o contraste entre a imagem pública de perfeição e organização que o país projeta para o exterior e a realidade privada vivida por milhões de cidadãs japonesas, que enfrentam uma dupla jornada exaustiva. Mudanças culturais profundas ainda são o principal desafio para que os índices econômicos e sociais de igualdade finalmente avancem no país.


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