Crises internas e fogo amigo abalam a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no PL

​A corrida de Flávio Bolsonaro rumo à sucessão presidencial pelo Partido Liberal (PL) vem enfrentando uma sequência de turbulências que expõem divisões profundas nos bastidores e geram forte desgaste político. O projeto, desenhado para herdar o espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem sido bombardeado tanto por escândalos financeiros externos quanto por intensas disputas de poder que envolvem o próprio clã e a cúpula da legenda.

​O primeiro grande abalo na estrutura da pré-campanha ocorreu após as revelações sobre as ligações do senador com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o financiamento do filme “Dark Horse”. O caso gerou desconfiança generalizada entre aliados e provocou investigações da Polícia Federal e no Supremo Tribunal Federal (STF) relativas ao uso de emendas parlamentares. A repercussão do episódio resultou na demissão conturbada do assessor Marcelão, peça central no comitê, cuja saída foi marcada por discussões acaloradas, acusações de “fogo amigo” e a quebra de objetos no escritório político.

​Para além das investigações financeiras, a maior ameaça à estabilidade do projeto tem vindo de dentro da própria família. Vídeos e declarações públicas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expuseram publicamente atritos com o enteado, com menções a “punhaladas” nos bastidores. Enquanto a coordenação da campanha, liderada pelo senador Rogério Marinho, tenta classificar o episódio como um mero “arranhão”, o deputado Eduardo Bolsonaro inflamou ainda mais os ânimos nas redes sociais, ampliando as divisões entre os grupos que orbitam o clã.

​Embora interlocutores e cientistas políticos apontem que o senador mantém uma base eleitoral fiel e resiliente — com oscilações nas pesquisas consideradas “administráveis” pelo comando do PL —, o ambiente de desordem interna tem cobrado o seu preço prático. Dirigentes partidários admitem reservadamente que a necessidade constante de conter danos e gerenciar crises familiares tem atrasado as articulações políticas e o fechamento de palanques regionais nos estados.

​Na tentativa de reverter a agenda negativa e suavizar sua imagem junto ao eleitorado feminino, Flávio intensificou as agendas públicas focado em pautas sociais e acenos diretos às mulheres. Contudo, analistas de bastidores alertam que o sucesso da pré-candidatura dependerá menos do marketing externo e mais da capacidade do senador de estancar a artilharia que vem de sua própria trincheira.


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