Estados Unidos retomam sanções ao petróleo do Irã após novos ataques no Estreito de Ormuz

​O governo dos Estados Unidos decidiu restabelecer integralmente as sanções econômicas contra a indústria de petróleo do Irã. A medida revoga a suspensão temporária das restrições que havia sido anunciada em 21 de junho e que, inicialmente, permitiria as exportações iranianas até o dia 21 de agosto. A reviravolta ocorre após uma escalada dramática na região, com o registro de múltiplos ataques a navios comerciais no estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais artérias de escoamento de energia do planeta.

​Washington classificou as recentes ações de Teerã na região marítima como “totalmente inaceitáveis”. De acordo com a agência de segurança britânica UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations), pelo menos três embarcações foram atingidas em um curto intervalo de tempo. Entre os alvos confirmados estão o petroleiro saudita Wedyan e o metaneiro catariano Al-Rakayyat. Países vizinhos, como a Arábia Saudita e o Catar, atribuíram as ofensivas diretamente ao Irão, denunciando o ocorrido como um grave atentado à livre navegação internacional e à estabilidade do abastecimento energético global.

​A nova onda de hostilidades compromete o frágil protocolo de acordo que havia sido assinado entre o Irã e os EUA em 17 de junho. O tratado buscava colocar fim a um conflito armado iniciado no fim de fevereiro daquele ano e previa a reabertura segura do canal em troca do alívio das sanções econômicas norte-americanas. Contudo, o governo iraniano vinha exigindo novas regras e taxas para a livre circulação, ameaçando interceptar navios que desviassem das rotas por ele estipuladas.

​Com a escalada, o Departamento do Tesouro dos EUA agiu de forma imediata e bloqueou quaisquer novas transações envolvendo hidrocarbonetos iranianos. O reflexo da crise geopolítica foi sentido de pronto nos mercados financeiros internacionais, gerando forte volatilidade no preço das commodities, impulsionando a valorização do dólar e pressionando os rendimentos dos títulos do Tesouro global diante do receio de uma nova crise de abastecimento no Oriente Médio.


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