Governo Lula lança Move Brasil e abre espaço para avanço de montadoras chinesas no mercado nacional

​O Governo Federal oficializou o lançamento do Move Brasil Táxi e Aplicativos, um programa de renovação de frota que prevê injetar até R$ 30 bilhões em linhas de crédito geridas pelo BNDES. A iniciativa visa facilitar a compra de veículos zero quilômetro por taxistas e motoristas de aplicativo, exigindo que os automóveis custem até R$ 150 mil e atendam a critérios ecológicos — como motores flex, híbridos ou 100% elétricos. Contudo, analistas de mercado e representantes do setor apontam que o desenho do programa tende a impulsionar fortemente marcas chinesas como BYD e GWM, acirrando a disputa com as montadoras tradicionais instaladas no país.

​A mecânica do programa e a vantagem competitiva

​Para participar do Move Brasil, o governo impôs uma contrapartida: as montadoras credenciadas precisam reduzir o preço de tabela dos veículos elegíveis em, no mínimo, 5%. Além disso, automóveis movidos exclusivamente a gasolina ou diesel foram excluídos da medida, restringindo o financiamento a modelos mais sustentáveis e conectados às diretrizes do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação).

​É justamente nesse recorte que as montadoras chinesas encontram terreno fértil para ampliar sua fatia de mercado. Enquanto fabricantes tradicionais ainda concentram grande parte de suas frotas de entrada em motores puramente a combustão, marcas como BYD e GWM possuem ampla disponibilidade de pátio focada em veículos eletrificados e híbridos na faixa de preço estipulada pelo governo (abaixo de R$ 150 mil). Modelos de entrada dessas marcas já despontam como fortes candidatos na escolha dos profissionais autônomos.

Regras do Move Brasil: Os contratos de financiamento começaram a ser liberados em junho e o programa exige que o motorista de aplicativo tenha cadastro ativo há pelo menos 12 meses, com o mínimo de 100 corridas realizadas no período dentro de uma mesma plataforma.

​Reação do mercado nacional e pressões tarifárias

​O avanço rápido das importações e o início da produção local de marcas chinesas — com a BYD operando na Bahia e a GWM em São Paulo — vêm gerando desconforto na Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Executivos de montadoras tradicionais, como Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis, têm manifestado preocupação quanto ao ritmo de competitividade.

​Embora o governo tenha estabelecido um teto de 35% para o imposto de importação de carros elétricos e híbridos trazidos de fora, a produção em solo nacional isenta as novatas dessas barreiras alfandegárias. Ao começarem a produzir localmente, as chinesas passam a se apropriar também dos incentivos fiscais da política industrial brasileira, unindo os benefícios de fabricação interna ao forte apelo comercial trazido pelo novo programa de crédito de R$ 30 bilhões.

​Especialistas estimam que, se o montante do Move Brasil for totalmente utilizado, o programa poderá financiar cerca de 200 mil a 250 mil novos veículos, o equivalente a um mês inteiro de vendas do mercado automotivo nacional, com potencial de consolidar a transição energética do transporte urbano sob forte liderança das novas entrantes asiáticas.


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