A Polícia Federal (PF) revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro ordenou uma investigação informal e a criação de um dossiê contra o CEO do Banco Itaú, Milton Maluhy Filho, e sua esposa, Camila Moretti Maluhy. As informações constam na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que autorizou a 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira.
O principal alvo da nova etapa da operação foi o publicitário Thiago Miranda, fundador da agência MiThi, apontado como o operador responsável por levantar dados sigilosos e coordenar campanhas a mando de Vorcaro.
Mensagens interceptadas
Em diálogos obtidos pela perícia da PF nos celulares dos investigados, Vorcaro solicitou explicitamente o levantamento de informações sobre o executivo do Itaú.
”Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema. Me ajuda nisso?”, escreveu Vorcaro.
No minuto seguinte, Thiago Miranda respondeu: “Deixa comigo”. Em conversas posteriores, o publicitário confirmou que já havia coletado dados de identificação civil, CPF e informações patrimoniais do casal, sugerindo que o material fosse repassado e publicado “por outro veículo” após o feriado de Carnaval.
Campanhas de desinformação e outros alvos
De acordo com o relatório judicial, a estrutura comandada por Miranda não visava apenas o CEO do Itaú. A PF aponta que o grupo atuava para blindar interesses ligados ao Banco Master, realizando o monitoramento de jornalistas — como a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo — e coordenando ataques para descredibilizar integrantes do Banco Central (BC) e o processo de fiscalização financeira.
A defesa de Thiago Miranda refuta as acusações. O Banco Itaú-Unibanco informou que não comentará o caso.
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