Paraná

Ratinho Jr. suspende fornecimento de alimentação em carceragens de delegacias do Paraná

O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, determinou a interrupção do fornecimento de alimentação custeada pelo Estado para presos que permanecem em carceragens de delegacias de polícia. A medida, que gera forte reação de entidades de direitos humanos e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), fundamenta-se na diretriz do governo de que delegacias não devem servir como presídios e que a custódia plena deve ser responsabilidade exclusiva do Departamento de Polícia Penal (DEPPEN).

​Reestruturação e impasse humanitário

​A decisão ocorre em um momento de transição no sistema de segurança pública paranaense. Desde 2021, o governo estadual vem trabalhando na transferência de gestão das carceragens da Polícia Civil para o DEPPEN. No entanto, o corte imediato das refeições nas unidades que ainda abrigam detentos provisórios criou um vácuo logístico.

​De acordo com fontes do Executivo, a intenção é forçar a celeridade nas transferências para penitenciárias e evitar que a Polícia Civil desvie sua função investigativa para o cuidado de custodiados. Por outro lado, o Sindicato dos Policiais Civis e conselhos da comunidade alertam que a medida pode levar a uma crise de fome e instabilidade dentro das delegacias, já que muitas famílias não possuem recursos ou meios para entregar “sacolas” de alimentos diariamente.

​O que dizem as autoridades

​O governo sustenta que o orçamento para alimentação prisional está concentrado nos contratos de refeições transportadas geridos pelo DEPPEN e que a manutenção de presos em delegacias é uma situação que deve ser erradicada.

  • Governo do Estado: Afirma que a medida visa a eficiência administrativa e que o fluxo de transferência está sendo priorizado para garantir que nenhum detento fique desassistido nas unidades penais oficiais.
  • Defensoria Pública e OAB: Analisam entrar com medidas judiciais para garantir o fornecimento básico de nutrição, citando que o Estado é constitucionalmente responsável pela integridade física dos detentos sob sua guarda.

​Contexto de 2026

​A movimentação também é vista sob a ótica política. Com Ratinho Jr. consolidando sua imagem na área de segurança pública e mantendo altos índices de aprovação, a gestão busca demonstrar “mão firme” e eficiência fiscal, eliminando custos em estruturas que o estado considera obsoletas.

​A situação nas delegacias do interior do estado é a mais crítica, onde a distância das penitenciárias regionais dificulta a logística de transferência imediata de presos em flagrante.

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