Flávio Bolsonaro culpa governo Lula por tarifa chinesa e promete negociar taxa de 55% sobre carnes

​O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), subiu o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao responsabilizar a atual gestão federal pela sobretaxa de 55% aplicada pela China sobre a carne bovina brasileira. Em publicações recentes nas redes sociais, o parlamentar criticou a diplomacia do governo e afirmou que pretende buscar agendas com Pequim para tentar reverter a barreira comercial, que ameaça o ritmo das exportações do setor pecuarista nacional.

​A medida do Ministério do Comércio da China foi anunciada originalmente em 31 de dezembro de 2025 com o objetivo de proteger os produtores locais. Ela estabelece uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas livre da taxação mais alta. Dentro desse limite, o produto brasileiro paga a tarifa padrão de 12%. No entanto, qualquer volume que exceda o teto é penalizado com a sobretaxa de 55%, elevando a carga tributária total para alarmantes 67%.

Gargalo atinge o setor e gera embate político

​O tema voltou a ganhar força no debate público em julho de 2026, após dados do setor confirmarem que o Brasil atingiu o teto da cota de exportações estipulada pelos chineses em menos de sete meses. Como o país já enviou cerca de 1,5 milhão de toneladas ao mercado asiático no primeiro semestre deste ano — superando o limite fixado —, os novos carregamentos já começaram a sofrer o impacto do imposto elevado, considerado impraticável por entidades do agronegócio.

​Diante do cenário, Flávio Bolsonaro passou a usar o episódio para desgastar a imagem de Lula junto ao setor produtivo. “Será que o Lula também vai dizer que eu sou responsável pelas tarifas da China?”, questionou o senador em vídeo publicado na última sexta-feira (10/7). Ele garantiu que vai se empenhar para “lutar contra as tarifas de qualquer país”.

​A movimentação do parlamentar também reflete uma tentativa de blindagem política. Recentemente, Flávio enfrentou desgaste ao ser apelidado por opositores de “Tariflávio”, após uma viagem sua aos Estados Unidos coincidir com anúncios de barreiras alfandegárias pelo governo americano. A estratégia de propor o adiamento de tarifas externas para depois do período eleitoral, contudo, chegou a ser rebatida por outros líderes políticos, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que classificou a sugestão como “inaceitável”.

​Enquanto o embate político se acirra, o Ministério da Agricultura do Brasil e lideranças da pecuária buscam alternativas urgentes para escoar a produção excedente, avaliando o redirecionamento de rotas para novos mercados — como a Turquia e a Coreia do Sul — e tentando negociar a ocupação de cotas não utilizadas por outros países exportadores que também foram afetados pela barreira chinesa, como a Argentina e o Uruguai.


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