Caminhoneiros iniciam paralisação nacional e pressionam Alcolumbre a pautar MP do Frete antes do vencimento

Caminhoneiros autônomos de diversas regiões do país iniciaram um movimento de paralisação nesta segunda-feira para pressionar o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar a Medida Provisória do Piso Mínimo do Frete (MP 1.343/2026). O texto, considerado crucial pela categoria para assegurar a rentabilidade do transporte de cargas, perde a validade na próxima quinta-feira se não for votado pelo plenário da Casa.

​A mobilização é liderada por entidades representativas como a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), presidida por Wallace Landim (conhecido como Chorão), e conta com o forte apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL). Os manifestantes concentram os principais atos em regiões estratégicas de escoamento, como no acesso ao Porto de Santos, onde o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos da Baixada Santista (Sindicam-Santos) organizou mobilizações na região do viaduto da Alemoa.

​Segundo Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL, a orientação repassada aos caminhoneiros é cruzar os braços e recusar novos fretes até que a matéria seja efetivamente apreciada pelos senadores. A categoria atribui diretamente a Davi Alcolumbre a responsabilidade por um eventual fracasso ou caducidade da medida, apontando que a falta de inclusão do tema na pauta decorre de impasses políticos e da forte pressão de setores patronais.

​Editada pelo governo federal em março deste ano, a MP 1.343/2026 busca endurecer as regras de fiscalização e punição a embarcadores e empresas que descumprirem a tabela de piso mínimo estipulada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A proposta prevê, inclusive, a suspensão do Registro Nacional do Transportador Rodoviário de Cargas (RNTRC) para os contratantes infratores. O texto já obteve o aval da Câmara dos Deputados, restando apenas o crivo dos senadores.

​Do outro lado do embate, representantes do agronegócio e da indústria exercem forte lobby contra a aprovação da medida provisória, argumentando que o texto gera insegurança jurídica e pode elevar os custos logísticos de transporte em todo o país. Diante do impasse e das primeiras paralisações nos portos, o governo monitora de perto os desdobramentos na tentativa de intermediar uma solução e evitar o risco de desabastecimento ou uma greve generalizada nas rodovias.


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