Governo britânico e Argentina entram em choque diplomático após provocação política na Copa do Mundo

​A histórica rivalidade política entre a Argentina e o Reino Unido voltou a esquentar os bastidores do futebol mundial. Após a eliminação da seleção da Inglaterra pela Argentina na semifinal da Copa do Mundo da FIFA 2026, com uma vitória sul-americana de virada por 2 a 1 em Atlanta, a comemoração dos jogadores argentinos no gramado extrapolou as quatro linhas e reacendeu a disputa territorial sobre as Ilhas Malvinas (chamadas pelos britânicos de Falklands).

​Logo após o apito final, jogadores argentinos como Cristian Romero, Lisandro Martínez, Giovani Lo Celso e Nicolás Otamendi estenderam no gramado do Estádio de Atlanta uma faixa com a frase “Las Malvinas son argentinas”. O ato descumpriu uma determinação expressa da própria FIFA, emitida antes do jogo, que proibia torcedores e profissionais de portarem qualquer referência ao conflito bélico de 1982. A faixa, inclusive, chegou a ser repassada para as arquibancadas pelos atletas durante a celebração da vaga na final do torneio contra a Espanha.

​A resposta das autoridades do Reino Unido foi imediata e enfática. O secretário de Negócios britânico, Peter Kyle, classificou o comportamento dos atletas como “totalmente inadequado” e solicitou formalmente uma investigação completa por parte da FIFA. Em tom irônico e assertivo, porta-vozes do governo de Londres chegaram a declarar publicamente: “A Copa pode não ser nossa, mas as Malvinas são”. Além disso, o governo britânico emitiu uma nota reforçando que sua posição em relação ao arquipélago permanece inalterada, assegurando que o compromisso com a autodeterminação dos moradores da ilha é inabalável.

​Pelo regulamento de disciplina da entidade máxima do futebol, manifestações de cunho político ou ideológico são estritamente proibidas durante as competições oficiais. Diante do pedido de investigação britânico, a Associação do Futebol Argentino (AFA) corre o risco de sofrer severas punições financeiras ou administrativas. Uma polêmica similar já havia ocorrido em um amistoso em 2014, quando a seleção argentina exibiu a mesma faixa e acabou multada pela federação internacional. Enquanto a FIFA avalia o caso, a Argentina foca as atenções na grande final do Mundial de 2026, agendada para este domingo (19).


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