STARBUCKS ENFRENTA PRESSÃO de Donald Trump e preços recordes do café em 2026

A Starbucks iniciou o ano fiscal de 2026 em uma encruzilhada financeira. Embora a gigante norte-americana tenha registrado uma recuperação no fluxo de clientes e um crescimento de 6% nas receitas globais no primeiro trimestre, seus lucros foram severamente comprimidos. O cenário é dominado por dois fatores externos que fogem ao controle da operação: a disparada histórica nos preços do café arábica e os efeitos residuais — e ainda incertos — das políticas tarifárias de Donald Trump.

​O “Tarifaço” e o custo da xícara

​A política comercial de Washington tornou-se um dos principais vilões das margens da companhia. Entre o segundo semestre de 2025 e o início de 2026, as tarifas impostas pelo governo Trump sobre as importações de café, especialmente as vindas do Brasil (maior fornecedor mundial), criaram um efeito em cadeia.

​Mesmo após recuos pontuais e isenções anunciadas para produtos alimentícios não produzidos nos EUA, o mercado ainda absorve o impacto dos “estoques tarifados”. Analistas do setor apontam que o preço do café torrado nas gôndolas americanas subiu cerca de 20% no final de 2025. Para a Starbucks, o desafio é repassar esses custos sem afastar o consumidor, que já demonstra sensibilidade à inflação dos alimentos.

​Matéria-prima em patamares históricos

​Além da política, a natureza também impõe limites. A cotação do café na Bolsa de Nova York (ICE) permanece volátil, com contratos futuros operando em patamares elevados devido aos baixos estoques mundiais e problemas climáticos em grandes produtores como Brasil e Vietnã.

​Executivos da rede admitiram em teleconferência com investidores no final de janeiro de 2026 que o custo dos insumos é o principal fator de pressão para as margens operacionais, que caíram de 16,7% para 11,9% no comparativo anual. “Estamos em um processo de recuperação sólido com o plano ‘Back to Starbucks’, mas os ventos contrários das commodities são reais”, afirmou a liderança da empresa.

​Estratégia de sobrevivência: Inovação e China

​Para contra-atacar, a Starbucks aposta em três frentes principais em 2026:

  1. Eficiência Operacional: Investimentos em automação nas lojas para reduzir o tempo de espera e custos de mão de obra.
  2. Expansão Internacional: A empresa planeja abrir entre 600 e 650 novas unidades neste ano, focando em mercados com margens mais resilientes.
  3. Foco na China: Apesar da concorrência acirrada, as vendas na China cresceram 7% no último trimestre, consolidando o país como o motor de crescimento que pode compensar as dificuldades no mercado doméstico americano.

​O mercado financeiro reagiu com cautela. As ações da Starbucks (SBUX) acumulam queda de aproximadamente 12% em doze meses, refletindo o ceticismo dos investidores sobre a rapidez com que a rede conseguirá reequilibrar suas contas diante de um cenário macroeconômico tão instável.

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