Vítima de assédio em ônibus tem dados expostos por empresa


Modelo relata assédio sexual durante viagem SP-Rio e enfrenta exposição indevida de informações pessoais pela transportadora Nova Itapemirim

A modelo e estudante Raquel Possu, de 25 anos, tornou pública nesta semana uma denúncia de assédio sexual sofrido durante uma viagem de ônibus da empresa Nova Itapemirim, entre São Paulo e Rio de Janeiro. O caso, que ganhou repercussão nas redes sociais, revelou não apenas a violência vivida pela jovem, mas também a exposição de seus dados pessoais pela própria empresa, que omitiu informações sobre o acusado em suas declarações oficiais .

O relato do assédio

Raquel contou que, após um dia exaustivo de trabalho em São Paulo, adormeceu no ônibus. Foi acordada com a mão de um passageiro sobre sua perna e percebeu que o homem, sentado ao seu lado, estava com o zíper aberto e as genitálias expostas. “Acordei em pânico. Tentei acionar o motorista pelo interfone, mas não obtive resposta. Desci para o andar inferior e relatei o ocorrido, mas me senti ignorada”, desabafou a jovem em suas redes sociais .

Segundo Raquel, o motorista minimizou a situação, sugerindo que ela trocasse de assento ou formalizasse uma denúncia. Apesar da presença de policiais rodoviários em uma parada, a abordagem foi marcada por descaso: os agentes pediram que ela identificasse o suspeito discretamente, mas o homem retornou ao mesmo assento sem constrangimento. Horas depois, a polícia foi acionada novamente por um amigo de Raquel, que interceptou o ônibus no Rio. O suspeito, identificado como Jefferson, foi levado à delegacia, mas o caso segue sem conclusão .

Exposição de dados e contradições da empresa

Após a denúncia, a Nova Itapemirim emitiu uma nota repudiando “acusações infundadas” e afirmando que análises de 6 horas de gravações não comprovaram o assédio. No entanto, a empresa expôs publicamente dados pessoais de Raquel, como nome completo e detalhes do ocorrido, enquanto omitia informações sobre o acusado. O advogado da vítima, Pedro Henrique Toledo, destacou que as imagens não foram compartilhadas com a defesa ou a polícia, contradizendo a versão da transportadora .

Em resposta ao g1, a empresa reiterou seu “compromisso com a verdade” e afirmou que Raquel recebeu “toda assistência necessária”, incluindo realocação para outro assento. Entretanto, o relato da modelo contradiz essa narrativa: ela descreveu o motorista como indiferente e citou frases como “ele tem cara de pervertido mesmo” durante o episódio .

Repercussão e questionamentos legais

O caso levantou debates sobre a segurança de mulheres em transportes coletivos e a responsabilidade das empresas em proteger vítimas. Raquel registrou um boletim de ocorrência por importunação sexual na 4ª DP do Rio, mas nenhuma medida concreta foi tomada contra o suspeito. A Secretaria de Segurança Pública confirmou que as investigações estão em andamento .

Enquanto isso, a defesa da modelo luta pela remoção da postagem que expôs seus dados e pelo acesso às filmagens do ônibus. “A empresa age de má fé para descredibilizar a vítima”, afirmou Toledo, que já notificou judicialmente a transportadora .

Impacto nas redes e engajamento público

A história de Raquel viralizou, com milhares de usuários criticando a postura da Nova Itapemirim. Hashtags como #JustiçaParaRaquel e #NovaItapemirimCulpad trendaram no Twitter, pressionando a empresa a revisar seus protocolos de atendimento a vítimas de violência .



O caso de Raquel Possu ilustra falhas sistêmicas no combate ao assédio e na proteção de dados de vítimas. Enquanto a empresa insiste na ausência de provas, a exposição pública das informações da jovem reforça a necessidade de transparência e responsabilidade corporativa. O desfecho do caso poderá definir precedentes importantes para situações similares no futuro.

Fontes: g1 | Veja


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