Governo Ratinho Junior e contratadas da área de comunicação viram alvo de questionamentos da Democracia Cristã por uso de dados no período eleitoral

CURITIBA — A Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) do Governo do Paraná, sob a gestão de Ratinho Junior (PSD), tornou-se objeto de questionamentos formais da executiva estadual do partido Democracia Cristã (DC-Paraná). A controvérsia envolve três contratos firmados por inexigibilidade de licitação com empresas do grupo Ibope, que totalizam R$ 1.043.641,56. O debate central gira em torno do início da prestação dos serviços — marcado para setembro — e de seu impacto durante o período de campanha das Eleições 2026.

Os contratos e os valores envolvidos

Autorizados em 27 de julho e formalizados em 25 de agosto pelo secretário de Estado da Comunicação, Eduardo Pugnali Marcos, os procedimentos compreendem três frentes de monitoramento e pesquisa institucional:

  • Contrato nº 7.130/2026 (Ibope Audiências Ltda.): R$ 584.040,00 destina-se a pesquisas de consumo de audiência de rádio e televisão no estado.
  • Contrato nº 7.133/2026 (Ibope Monitor de Verificação Publicitária Ltda.): R$ 305.116,20 para verificação e acompanhamento de investimentos publicitários.
  • Contrato nº 7.136/2026 (Ibope Monitor de Meios Publicitários Ltda.): R$ 154.485,36 para monitoramento de mídia e publicidade multimídia.

Os questionamentos da oposição e a transparência pública

Formalmente, o escopo dos contratos restringe-se ao acompanhamento da veiculação de mídia e ao consumo de imprensa e publicidade institucional. No entanto, o DC-Paraná levantou dúvidas sobre como essas métricas estratégicas serão geridas até o término da apuração eleitoral.

O partido quer esclarecimentos sobre a salvaguarda dos dados gerados com recursos públicos, indagando quais relatórios serão produzidos, quem terá acesso a essas análises e quais travas de segurança institucional impedirão que diagnósticos de alcance de imagem e audiência sejam aproveitados para balizar estratégias de campanhas governistas ou de candidatos apoiados pelo Palácio Iguaçu.

A legenda ressaltou que não aponta irregularidades nem acusa formalmente os agentes públicos ou as empresas envolvidas, sustentando que seu objetivo é cobrar transparência preventiva e a atuação dos órgãos estaduais de controle fiscalizador.

O contexto político e o cenário eleitoral paranaense

Os contratos vêm à tona em um momento dinâmico da política paranaense. A gestão do governador Ratinho Junior mantém altos índices de aprovação no estado — apontados por institutos de pesquisa de opinião como a Quaest (79% de aprovação em levantamento divulgado no fim de agosto) e o Paraná Pesquisas —, o que eleva a relevância política do apoio governamental e da exposição institucional das marcas do Estado na reta final das campanhas.

Até o momento, a Secretaria de Estado da Comunicação defende que as contratações são rotineiras, visam aferir a eficiência da aplicação das verbas publicitárias governamentais e cumprem os ritos legais previstos pela legislação administrativa.


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